Descrição de chapéu Eleições 2018

Datena brinca com Doria, xinga barulhentos e ataca violência sob gestão Alckmin

Apresentador anunciou pré-candidatura ao Senado em evento com Doria, Maia e Kassab

Thais Bilenky
São Paulo

O apresentador José Luiz Datena (DEM-SP) deu um show ao vivo ao anunciar sua pré-candidatura ao Senado e se despedir da televisão. Em um hotel na capital paulista, nesta quinta-feira (28), fez graça de João Doria (PSDB), repreendeu barulhentos e desejou que adversários “se explodam”.

Visto como potencial ajuda para a campanha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB), Datena detonou a segurança pública em São Paulo, estado que o tucano administrou por quatro mandatos.

João Doria, pré-candidato ao Governo de São Paulo, durante lançamento da pré-candidatura de José Luiz Datena (DEM) ao Senado pela Coligação Acelera São Paulo, no Hotel Intercontinental, em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (28).
João Doria, pré-candidato ao Governo de São Paulo, durante lançamento da pré-candidatura de José Luiz Datena (DEM) ao Senado pela Coligação Acelera São Paulo, no Hotel Intercontinental, em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (28). - Reprodução / Facebook

“O PCC, criado aqui em São Paulo, é a organização criminosa que mais cresce no mundo inteiro. Significa que o sistema de segurança pública de São Paulo, do Brasil, está falido”, atacou, em discurso acompanhado por Doria e outros caciques como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro Gilberto Kassab (PSD).

Questionado sobre a declaração, Doria afirmou que São Paulo tem os melhores índices do país, mas que medidas podem ser aprimoradas.

“Não é discordância. A sinceridade do Datena é tão grande quanto o número de votos que ele vai ter”, afirmou. “A população de SP também espera melhorias no sistema de segurança pública.”

Datena disputará a vaga na chapa de Doria, pré-candidato a governador, e Rodrigo Garcia (DEM), pré-candidato a vice-governador. A segunda vaga de pré-candidato ao Senado está em aberto.

Definindo-se como político de centro, ele criticou a soltura do ex-ministro José Dirceu (PT), determinada pela Supremo nesta semana até que seu julgamento seja esgotado.

“Quando você solta o Zé Dirceu, que teria que cumprir pena, e não é só o Zé Dirceu, tem um monte de gente dos partidos que estão aqui lá dentro [da cadeia também], você dá a perspectiva de liberdade para um bandido do PCC ou do crime organizado”, argumentou.

À frente há anos de programas policialescos, ele trocou a Record pela Bandeirantes mais de uma vez, apesar de multas contratuais. Dizendo arcar com os custos de sua personalidade, tentou explicar a ausência de caciques do PRB, que integra a coligação de Doria.

“Por isso que o cara do PRB não está aqui, eu paguei a conta na Record”, afirmou. “Tem cara que está participando dessa coligação que me odeia. Aliás, que se explodam”, atacou.

Prometendo honestidade, Datena justificou sua entrada na política. “Por que está do lado de tanta gente em que você mete o pau? Muito simples. Acordo bom não é aquele bom para os dois lados, é aceitar a parte ruim que vem do outro lado”, afirmou.

O lado ruim que ele aceitou é lidar com gente que ele critica. “A política brasileira está boa parte dela corrompida, carcomida e podre”, definiu. 

O apresentador deixará a TV Bandeirantes nesta semana, mas indicou que manterá o estilo na campanha. 

Quando tocou um celular durante seu pronunciamento, brigou: “Desliga essa bagaça aí”. Quando a conversa na plateia o incomodou, retrucou. “Tá parecendo um mercado. Não sei quem está falando, mas fecha a porta, pô.”

Datena lamentou a morte do Tonico, dono do boteco do restaurante Jardim de Napoli, a quem chamou de segundo pai. Disse que estava sem cabeça para o evento.

“Não queria estar aqui, estou aqui a contragosto pra caramba, mas estou aqui por um compromisso sagrado com o povo do Brasil”, disse, para então finalizar seu discurso, apontando para a câmera de televisão, sua velha conhecida.

“Vocês podem ter um político de péssima qualidade, uma porcaria, mas vão ter um cara que vai ser uma coisa só: honesto com você”, encerrou.

Doria, que também foi apresentador de TV antes de se tornar prefeito de São Paulo, assumiu o microfone para dar início a uma entrevista de apenas seis perguntas.

“Não vou responder pergunta, não”, protestou o pré-candidato ao Senado.

“Não é só para você”, devolveu Doria.

“Para os outros tudo bem. Eu, sinceramente, não teria condição psicológica de responder pergunta alguma”, justificou-se Datena, que, apesar do luto, passou a fazer graça do estilo viciado em trabalhar de Doria.

“Vou sair uns dias para descansar, se o João deixar, porque ele está em 48 lugares ao mesmo tempo. Acho que tem alguns clones, ou figurantes. Já disse para ele, não vem me acordar às 3h para me vestir de gari. Eu não vou”, afirmou para gargalhada da plateia.

“Eu não tenho o pique que ele tem. Ele me deu o Doriavit, a vitamina que ele toma, nem se eu tomar todo aquele remédio, consigo fazer o que ele faz.”

ALCKMIN

A ausência de Alckmin em evento de peso político reflete a dificuldade de sua campanha em fechar aliança com partidos que já estão com Doria, como DEM e PRB.

Rodrigo Maia disse que as pesquisas só adiam a decisão do DEM sobre quem apoiar —ele deve desistir de sua pré-candidatura à Presidência.

“Ninguém saiu do lugar, todo mundo só está caindo. Significa que a imprevisibilidade é grande, então a forma de decidir para cada partido vai ser individual. Vai ter que esperar um pouquinho”, afirmou.

Kassab, o primeiro aliado a se posicionar publicamente a favor de Alckmin, admitiu que a duração menor da campanha dificultará a vida do tucano. “Crescer em 45 dias é um desafio maior do que crescer em 90 dias”, afirmou o ministro. 

Ele estendeu, porém, a lógica a Jair Bolsonaro (PSL), que lidera os cenários sem o ex-presidente Lula (PT). “Ele não vai ganhar com 16%. Se não crescer, está fora. Ele não está crescendo e com uma proposta radical é mais difícil de crescer”, disse.

O youtuber Arthur do Val, o Mamãefalei, membro do MBL (Movimento Brasil Livre) e pré-candidato a deputado estadual, sugeriu que Alckmin desista de disputar a Presidência e concorra a uma vaga no Senado.

Não soube apontar o substituto, contudo. “Doria também não tem a nossa cara”, afirmou.

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