Descrição de chapéu Eleições 2018

PSOL lança Boulos como única chapa de esquerda

Candidato fala em legalizar o aborto e revogar medidas do governo Michel Temer

Guilherme Boulos durante convenção do PSOL, neste sábado (21), em São Paulo
Guilherme Boulos durante convenção do PSOL, neste sábado (21), em São Paulo - Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress
Géssica Brandino Wálter Nunes
São Paulo

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos, foi oficializado neste sábado (21) como o candidato do PSOL à Presidência da República. O partido apresentou sua chapa presidencial como a única genuinamente de esquerda nesta eleição.

Boulos definiu como esquerda quem tem "toda a disposição de enfrentar privilégios até as últimas consequências". "E que não tenha compromisso com o sistema financeiro e com o mercado, e sim com a maioria do povo brasileiro", disse.

"Nós somos essa esquerda. Isso não quer dizer que não haja outras candidaturas que estejam na oposição ao governo Temer e nós respeitamos todos."

A convenção aconteceu em um hotel no centro de São Paulo. Líderes nacionais do partido estiveram no ato, como os deputados federais Luiza Erundina (SP), Ivan Valente (SP) e Glauber Braga (RJ) e o deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo. 

"Temos uma expectativa boa de uma campanha de esquerda como há tempos que a gente não vê nacionalmente", disse Freixo. "Só tem uma chapa de esquerda nesse país. Essa chapa é o Boulos", afirmou Erundina.

Boulos listou suas prioridades de um futuro governo. "Nosso primeiro compromisso é revogar as medidas do governo Michel Temer", disse ele, que foi recebido pela militância sob o grito de "eu não abro mão de um presidente que faz ocupação".

Questionado sobre a possibilidade de aproximação com o PT e sobre a declaração de possível apoio do ex-ministro petista Tarso Genro, caso a candidatura de Lula seja barrada pela Justiça Eleitoral, Boulos defendeu o direito do ex-presidente de disputar a eleição, e se disse honrado com o apoio recebido de Tarso. "Uma declaração como essa do ex-ministro Tarso Genro fortalece nossa perspectiva de construção de um novo projeto de esquerda para o Brasil", afirmou.

Além deles, outras pré-candidaturas identificadas com esse campo político são a de Manuela D'Ávila (PC do B) e a de Ciro Gomes (PDT).

Na convenção, Boulos, 36, também afirmou que defenderá a legalização do aborto e tratará o tema como uma questão de saúde pública, citando dados sobre mulheres que morrem com abortos clandestinos, especialmente pobres e negras. "O tema tem que ser trazido à tona", disse.

Ele também defendeu a descriminalização das drogas, a desmilitarização da polícia e a "governabilidade" com a população, por meio de plebiscitos e referendos. Disse que manterá seus princípios ao longo da campanha e que não fará discursos com base em marqueteiros.

Aplaudida de pé, Erundina discursou girando no palco para não dar às costas ao seu "futuro presidente e à co-presidente", a líder indígena Sônia Guajajara, vice de Boulos. A parlamentar e ex-prefeita de São Paulo afirmou ser essa a única chapa legítima com "compromisso com o povo".

Coligado com o PCB e com apoio dos movimentos MTST, Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e Mídia Ninja, Boulos criticou Jair Bolsonaro (PSL) e chamou o centrão de turma do balcão de negócios do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), que está preso no Paraná.

"[Bolsonaro] é o candidato que usa crianças para fazer apologia à violência, como nós vimos nos últimos dias."

O coordenador do MTST também comentou a aliança firmada pelo centrão com o ex-governador e pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB). "Acho que se merecem. É o encontro da Bolsa de Valores com a corrupção no Congresso Nacional", afirmou.

A convenção também foi marcada por diversas falas em homenagem à vereadora do Rio Marielle Franco. Girassóis foram distribuídos aos militantes enquanto a vereadora de Niterói (RJ) Talíria Petrone falava do histórico da correligionária, assassinada a tiros no dia 14 de março. 

O PSOL vai apostar em uma campanha feita "de baixo para cima" e com "gente na rua" para conquistar o eleitorado. O partido terá que superar dificuldades, como o pouco tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio, que pode chegar a 20 segundos, de acordo com a estimativa da direção da sigla.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, Boulos é coordenador do MTST, e não do MST.
 

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