Descrição de chapéu Eleições 2018

Bolsonaro é um 'projetinho de Hitlerzinho tropical', diz Ciro

Para candidato do PDT, quem vota no Bolsonaro é inimigo da pátria

Gustavo Uribe
Brasília

Em uma mudança de postura, o candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, adotou discurso duro nesta quarta-feira (29) contra o adversário do PSL, Jair Bolsonaro.

Ele comparou o capitão da reserva ao ditador alemão Adolf Hitler, disse que ele é mal-preparado para administrar o país e afirmou que os eleitores dele são "inimigos da pátria". 

As críticas efusivas contrapõem postura moderada adotada nas últimas semanas por Ciro na tentativa de atrair eleitores indecisos e desconstruir fama de que é explosivo.
 

O candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) durante fala na ANDIFES, em Brasília
O candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) participa de evento da Andife, em Brasília - Pedro Ladeira - 29.ago.2018/Folhapress

"O cara que vota no Bolsonaro está querendo que o Brasil morra. Está querendo que a minha nação seja destruída. Não quero saber disso para mim, isso é inimigo da pátria", criticou.

Segundo o Datafolha, no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro aparece em primeiro, com 22% das intenções de voto, liderando no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.  

Ciro disse ainda que respeita todos os eleitores do país, mas não quer o voto de uma fração de apoiadores do adversário que, segundo ele, "vivem com uma pedra no coração".

"São egoístas e estão pouco se lixando com desempregados e com mulheres que foram estupradas.Quantos desses estupros ocorreram porque o cara está escorado em um candidato popular?", questionou. 

Segundo ele, o capitão reformado faz uma "simplificação grosseira" ao criminalizar movimentos sociais e fala uma "imensa baboseira" ao se referir aos homossexuais.

"Ele é um mistificador, perigoso, fascista. É um projetinho de Hilterzinho tropical e muito mal preparado, porque o Hitler, pelo menos, era um intelectual razoável", disse.

Ciro afirmou que o fim dos subsídios agrícolas, sugerido pelo economista Paulo Guedes, vai acabar com o setor do agronegócio em 12 meses e que o Bolsonaro estimula estigmas contra setores da sociedade.

Ele citou, por exemplo, a crítica feita pelo adversário de que o conteúdo contra a homofobia ensinado nas escolas brasileiras pode levar os meninos a brincarem de boneca.

"Isso é uma grande baboseira, uma imensa baboseira que vai predispondo o estigma contra pessoas que, só por uma orientação sexual diferente, amam diferente do tradicional. O que nós temos com isso?", questionou.

Ciro afirmou que brincaria normalmente de boneca com seu filho caçula Gael, de dois anos, uma vez que, segundo ele, nenhuma criança vai afirmar a sua orientação sexual por causa de um brinquedo.

"Tenho um filho de 2 anos e, se ele ficar brincando com a boneca, eu brinco junto. Qual é o problema? Ou alguém acha que alguém vai afirmar a sua orientação sexual por causa de um brinquedo? Isso é de uma ignorância estapafúrdia", disse.

CNA

O candidato participou de encontro promovido, em Brasília, pela Andife (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições  Federais do Ensino Superior).

Para não causar um mal-estar com sua candidata a vice-presidente, Kátia Abreu, Ciro não compareceu durante a manhã a sabatina promovida pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

Ele disse que tem um compromisso com o setor do agronegócio, mas que não foi ao debate porque não quer conviver com a atual diretoria da entidade agrícola. "Ela representa uma coisa muito atrasada, muito fascista, muito anti-povo, muito anti-Brasil. E eu represento o oposto", disse.

Kátia comandou a entidade ruralista por três mandatos, mas deixou o posto sob críticas de dirigentes do setor por ter apoiado a ex-presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. 

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