Descrição de chapéu Eleições 2018

Com candidatura incerta em MG, Lacerda consegue apoio do MDB e outros partidos

PSB nacional diz ter decisão final sobre candidaturas; assunto deve ser resolvido na Justiça

Mesmo com a candidatura incerta e dependendo de decisões judiciais, Márcio Lacerda (PSB) conseguiu atrair o apoio do MDB em Minas. A chapa conta ainda com PV, PRB, Pros e Podemos, o que garante bom tempo de TV. 

Na quarta (1º), o PSB retirou a candidatura de Lacerda para cumprir um acordo com o PT, que teve o objetivo de isolar Ciro Gomes (PDT). Lacerda, porém, resiste e levou a questão para a Justiça. O candidato quer manter-se na disputa mesmo após o PSB ter anulado sua candidatura em convenção nacional no domingo (5).

Na tentativa de impedir a candidatura, o PSB também nomeou nova direção em Minas, adversária de Lacerda. Esse grupo definiu apoio à reeleição do governador Fernando Pimentel (PT).

O ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que tenta candidatura ao governo de Minas Gerais mesmo contra a a decisão nacional de seu partido, o PSB
O ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que tenta candidatura ao governo de Minas Gerais mesmo contra a a decisão nacional de seu partido, o PSB - Pedro Ladeira - 05.ago.2018/Folhapress

O assunto deve ser resolvido na Justiça. Lacerda diz estar amparado em uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas que valida a convenção, feita em BH no sábado (4), que aprovou seu nome sob tumulto e briga e, portanto, irá registrar a candidatura. 

Porém, outra decisão, referente a uma segunda ação, dessa vez do Tribunal Superior Eleitoral, vai no sentido contrário. O PSB nacional argumenta ainda que, pelas suas normas, tem a decisão final sobre as candidaturas estaduais. 

Em nota divulgada nesta segunda (6), o partido reafirmou que a candidatura de Lacerda foi invalidada em convenção nacional e que o candidato teve direito a se manifestar de forma contrária. "Prevaleceram, assim, os interesses nacionais do PSB e suas alianças programáticas nos diversos estados do país", diz o texto. 

O PSB diz que a insistência de Lacerda demonstra falta de transparência. "O PSB lamenta enormemente esses incidentes, que apenas causam tumulto ao processo político-eleitoral, e mantém-se firme no propósito de contribuir com eleições seguras, transparentes e democráticas."

Na composição de Lacerda, o deputado estadual Adalclever Lopes (MDB) ocupa o posto de candidato a vice. O deputado federal Jaime Martins (Pros) será o nome para o Senado.

Já entre os petistas, a deputada federal Jô Morais (PCdoB) é candidata a vice e o PSB pode ter um dos nomes ao Senado. A outra vaga é da ex-presidente Dilma Rousseff.

A decisão do MDB, de apoiar Lacerda, é um revés Pimentel, que trabalhava para atrair os emedebistas. Alguns deputados federais do MDB, também ficaram contrariados, pois defendiam o PT como melhor opção para eleger um grande número de deputados.

"Estamos entrando numa canoa judicializada. Acho muito difícil Márcio ser candidato", disse o deputado federal Fábio Ramalho (MDB-MG).

O principal impasse para a manutenção da aliança PT-MDB que elegeu Pimentel em 2014 foi a candidatura de Dilma ao Senado. A ex-presidente se recusou a fechar aliança com o partido de Michel Temer e dividir o palanque com deputados que votaram pelo impeachment.

Pimentel defendia a aliança com os emedebistas para manter seu apoio na Assembleia e aumentar o tempo de TV. O MDB esteve perto de fechar com o PT e teve uma ata pronta nesse sentido, mas houve uma mudança de decisão no último momento.

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