Descrição de chapéu Eleições 2018

Desconhecido no Nordeste, Haddad inicia giro com aposta em 'vote 13'

Aliados admitem discurso de que eleição será ancorada no projeto e na ideia do ex-presidente

Marina Dias
Salvador

O porta-voz da mensagem ainda não é Fernando Haddad. O candidato a vice na chapa do ex-presidente Lula evita falar sobre transferência de votos de seu padrinho político, mas aliados já vocalizam, em seu primeiro périplo pelo Nordeste, que a ideia a partir de agora é "vote 13" —em referência ao número símbolo do PT.

Desconhecido no principal reduto petista, Haddad desembarcou nesta terça-feira (21) em Salvador com a missão de divulgar sua imagem em meio a um eleitorado ávido pela presença de Lula na disputa. ​

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Em Salvador, Fernando Haddad aprende a sarrada com governador Rui Costa, à esquerda, e candidato a senador Jaques Wagner, à direita. - Ricardo Stuckert - 21.ago.2018/Divulgação

Preso em Curitiba, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente lidera as pesquisas de intenção de voto, mas deve ser impedido de concorrer em outubro pela Lei da Ficha Limpa.

O desafio do ex-prefeito de São Paulo (SP), dizem auxiliares mais próximos, é conquistar o espólio de Lula —que tem mais de 50% das preferências de voto em todos os estados nordestinos—, fiando-se na ideia de que o ex-presidente é a representação de um projeto que Haddad poderá retomar.

"O voto de Lula não é só na pessoa física do Lula, é no que o Lula representa. Acredito que o 13 será vitorioso na eleição nacional. A ideia se consagra no 13", afirmou o governador da Bahia e candidato à reeleição, Rui Costa, durante entrevista a vários jornais nesta terça, ao lado de Haddad.

Haddad, por sua vez, não fala publicamente como substituto oficial na chapa petista, mas ensaia o discurso de Lula como um projeto. "A candidatura do PT vai ter apoio no Nordeste pelo que fizemos pelo Nordeste. Lula já disse que não adianta prendê-lo porque ele é uma ideia, um projeto. E você não consegue aprisionar um projeto", declarou.

Candidato ao Senado pela Bahia, Jaques Wagner também reforçou a tese de que as pessoas "vão votar num projeto", mas afirmou que "não adianta querer vestir Haddad de Lula".

"Dilma não era Lula. Não sei se é bom ser igual", declarou o ex-governador que declinou da missão de ser ungido plano B.

Dirigentes petistas —e o próprio ex-presidente— preferiam Jaques no posto de sucessor de Lula, caso o petista fosse declarado inelegível, inclusive pela semelhança —física e de traquejo político— entre ambos.

Haddad, por sua vez, negou que tenha pouca familiaridade com o Nordeste e disse que não está sendo apresentado à região agora. 

Nesta terça, após reunião com candidatos a deputado do PT na Bahia e almoço com o governador e aliados, o ex-prefeito vai estrear em um compromisso a céu aberto, em uma caminhada na periferia de Salvador, de onde sai um dos principais blocos do carnaval baiano: o Ilê-Ayê.

Segundo Haddad, a "orientação geral", do Lula e da coordenação de sua campanha, é "colocar o bloco na rua" e explicar como o partido vai "resgatar o país e a soberania nacional".

Questionado sobre a falta de habilidade de Haddad no contato direto com eleitores —o petista era criticado como prefeito por priorizar agendas fechadas—, Jaques disse que a caminhada em Salvador vai dar certo "porque na hora embola tudo".

Depois de Salvador, Haddad seguirá para Aracaju (SE), Campina Grande (PB), João Pessoa (PB), Mossoró (RN) e São Luís (MA). Em seu primeiro giro pelo Nordeste, de terça a sábado, ele evitou passar por estados onde há conflitos entre aliados, como Pernambuco e Ceará.

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