Gustavo Uribe
Brasília

Sem excluir a possibilidade de uma composição com o PT ou o PDT, o PC do B oficializou nesta quarta-feira (1º) a candidatura presidencial de Manuela D'Ávila ainda insistindo na tentativa de consenso para o lançamento de um único nome do campo da esquerda.

Em discurso a uma plateia de militantes, em convenção nacional da legenda, a candidata assumiu o papel de interlocutora do apelo, dizendo que seu partido "não será óbice" a uma unidade partidária e que a defenderá "até o último dia que seja possível".

"Nós nunca fomos e nunca seremos óbice à unidade de nosso campo político. Nós precisamos estar o mais unido possível para que vençamos a eleição e interrompamos esse ciclo de destruição do Brasil", disse.

Apesar de ter oficializado o nome da deputada estadual, o PC do B não interrompeu o diálogo com o PT e com o PDT. As duas siglas atuam para tê-la como candidata a vice-presidente.

Em entrevista à imprensa, Manuela repetiu que não se coloca como óbice e disse que ficaria muito feliz que houvesse uma união entre três ou quatro candidaturas. "Mesmo que eu não participasse da chapa", disse.

Ela ressaltou, contudo, que sabe da viabilidade de sua candidatura ao Palácio do Planalto. "Creio que vocês terão de conviver com minha candidatura até o dia das eleições", afirmou.

 

ACENOS

No seu discurso, a candidata fez acenos políticos a dois grupos de eleitores: indecisos e mulheres. 

Hoje, a maioria dos eleitores são do sexo feminino e brancos e nulos chegam a 28% no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a última pesquisa Datafolha.

“Não é admissível abrir mão do futuro do nosso país. Metade do povo brasileiro diz que não tem candidato. Nós temos de tomar a política em nossas mãos”, disse.

Ela ressaltou que sua candidatura é a única feminista do campo da esquerda e disse que o país atravessa uma espécie de "primavera das mulheres".

"A nossa candidatura é a única feminista da esquerda nessas eleições e não poderia ser diferente. Somos um partido com muitas mulheres, então é natural que tenhamos essa postura. Não há desenvolvimento sem combate às desigualdades", disse.

A candidata também defendeu a libertação de Lula, preso desde abril em Curitiba, e criticou o presidente Michel Temer, segundo a qual traiu a população brasileira.

"O governo é um comitê gestor das grandes organizações. Ele organiza a rapina e distribui as riquezas", criticou.

Ela também pregou a revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos, propôs a diminuição dos impostos para os mais pobres e a taxação de lucros e dividendos e de grandes fortunas.

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