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Em carta, Lula oficializa troca no PT e pede que votem em Haddad

Desafio da campanha petista é conquistar espólio do ex-presidente; foco inicial será eleitorado que migrou para Ciro

Fernando Haddad (PT) realiza discurso na Vigila Lula Livre em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi anunciado oficialmente como candidato do PT à Presidência, tendo Manuela D'Ávila (PC do B) como vice
Fernando Haddad (PT) realiza discurso na Vigíla Lula Livre em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi anunciado oficialmente como candidato do PT à Presidência, tendo Manuela D'Ávila (PC do B) como vice - Heuler Andrey/Folhapress
Marina Dias
Curitiba

De dentro de sua cela em Curitiba, onde está preso há 159 dias, Luiz Inácio Lula da Silva autorizou que Fernando Haddad fosse oficializado nesta terça-feira (11) o candidato do PT ao Planalto.

Em mensagem à militância lida em ato em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba, Lula deu seu recado mais explícito ao afilhado político.

“Quero pedir, de coração, a todos os que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República”, escreveu. “De hoje em diante, Haddad será Lula para milhões de brasileiros”, disse o petista, em carta lida por Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado e fundador do PT.

Lula usou a mensagem, novamente intitulada “Carta ao Povo Brasileiro”, como a que marcou sua campanha de 2002, para dizer que é vítima de um processo injusto e que vai voltar para “estar junto com Haddad e fazer o governo da esperança”.

Em seguida, Haddad, chancelado pela executiva nacional do PT, fez seu pronunciamento de menos de dez minutos.

Ladeado por integrantes da cúpula petista, que haviam chancelado sua candidatura em reunião mais cedo, na capital paranaense, o agora candidato afirmou que sentia a dor “daqueles que não vão poder votar em quem queriam que subisse a rampa do Planalto”.

Pediu o apoio da militância para a “tarefa monumental” que se abriu diante dele.

Com a renúncia do ex-presidente à candidatura, a chapa do PT, agora formada por Haddad e Manuela D’Ávila (PC do B), sairá em marcha com o desafio de, em menos de um mês, herdar o espólio de Lula —que registrava 39% nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo dirigentes petistas, Haddad, de saída, centrará esforços na conquista do eleitorado lulista que, sem definição sobre a candidatura, migrou para outros candidatos de esquerda, e se instalou principalmente na órbita de Ciro Gomes (PDT).

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (10) mostrou Haddad e Ciro tecnicamente empatados em segundo, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com 9% e 13%, respectivamente.

O pedetista, por sua vez, ganhou seis pontos no Nordeste, reduto eleitoral mais fiel de Lula, e chegou a 20% na região. Haddad cresceu oito pontos, mas ainda fica em 13%.

A cúpula da campanha avalia que, agora oficializado, Haddad sofrerá ataques de adversários como Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB), que tentarão conter um possível crescimento do petista.

Os dirigentes do PT, porém, acreditam que, ao informar o eleitor de que é o indicado de Lula, Haddad crescerá “naturalmente” entre os apoiadores cativos do ex-presidente.

Pesquisas internas feitas pela sigla mostram que o eleitorado lulista se divide em três: os que não votam em ninguém com a saída do ex-presidente da disputa, os que votam em um indicado por ele sem ressalvas e os que votam em seu herdeiro, mas querem conhecê-lo melhor antes.

A 26 dias do primeiro turno, a transmutação de Lula para Haddad será cercada do apelo ao “vote 13”, número do PT, para tentar driblar o desconhecimento do ex-prefeito de SP em regiões como o Nordeste.

 

Haddad também terá que lidar com grupos do próprio PT que foram resistentes à escolha dele para substituir Lula —embora tenha havido discurso de unidade e pacificação após as disputas internas.

 

A presidente da sigla, Gleisi Hoffmann (PR), e alguns de seus aliados insistiam em adiar a troca da candidatura de Lula até o limite —a Justiça Eleitoral fixou o prazo de 11 de setembro, mas o partido tentou prorrogá-lo ainda mais com recurso no STF (Supremo Tribunal Federal).

Haddad, que temia não ter tempo suficiente para conseguir a transferência de votos do padrinho político em tão pouco tempo, acompanhou diretamente a elaboração da estratégia pelo partido.

Na segunda (10), cancelou presença em evento em São Paulo para evitar sua aclamação como candidato, seguindo o roteiro de Lula de fazer o anúncio em Curitiba.

O ex-presidente pediu sugestão de seus principais auxiliares, por carta, sobre como a troca deveria ser feita.

Nesta terça, com a decisão do ministro do STF Celso de Mello, que negou liminar para suspender a decisão da Justiça Eleitoral, Lula colocou o plano em marcha. Reuniu-se por horas com Haddad e advogados e orientou o até então vice sobre o pronunciamento que deveria fazer.

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