Descrição de chapéu Eleições 2018

Após auditoria, Justiça Eleitoral descarta fraude em urnas eletrônicas

Fiscalizações foram realizadas nos estados do PR, SC, RS, SP e Minas

Estelita Hass Carazzai
Curitiba

As auditorias de urnas eletrônicas realizadas em cinco estados na semana passada, depois de queixas de eleitores, concluíram que não havia indícios de fraude na votação realizada no primeiro turno.

Em relatórios, a Justiça Eleitoral afirmou que as urnas estavam “em perfeitas condições de uso e funcionamento”, e que “não houve nenhum indício de fraude ou defeitos”.

As fiscalizações foram realizadas nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, entre quinta (18) e sábado (20). 

Elas atenderam a pedidos de eleitores e do PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, que se queixaram de que a foto do candidato não aparecia na urna, ou que a votação fora encerrada sem que fosse pressionada a tecla “confirma”.

No total, foram auditadas 21 urnas, em procedimentos acompanhados pelo Ministério Público Eleitoral, OAB, partidos políticos, peritos e observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos), abertos ao público.

Os auditores verificaram os lacres das urnas, a integridade dos softwares e sistemas usados nos equipamentos, e, em alguns casos, repetiram a votação feita no dia do primeiro turno, para fazer a conferência dos votos registrados. Nenhuma delas apresentou as inconsistências relatadas pelos eleitores, como ausência de fotos dos candidatos ou registro do voto antes de pressionada a tecla “confirma”.

“As votações bateram rigorosamente”, disse o corregedor do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná, Gilberto Ferreira. “O eleitor pode ir votar tranquilo no segundo turno.”

A despeito dos relatórios finais, que foram categóricos em descartar fraudes, peritos que acompanharam os testes ainda preparam laudos de auditoria, que não ficaram prontos. No Paraná, onde foi realizada a maior auditoria, com a presença de técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Polícia Federal e partidos, o perito indicado pelo PSL iria apresentar o documento nesta semana.

“As respostas serão dadas tecnicamente”, disse o advogado do PSL no Paraná, Gustavo Kfouri, que não quis adiantar conclusões sobre a lisura das urnas.

Em São Paulo, uma das urnas auditadas apresentou defeito no teclado, em teclas diversas, segundo o TRE. Ela não reconhecia a sequência de números digitada pelos auditores, de 1 a 9, e apresentava falha no meio do percurso.

O equipamento foi usado na seção 227, em Cidade Tiradentes, e substituído no início da manhã da votação, às 9h42, após queixas de eleitores.

Presente à auditoria, o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, membro de um comitê independente que faz uma apuração paralela dos votos, se queixou do resultado, e disse que o defeito apresentado na urna é consistente com as queixas de eleitores pelo país.

“Falaram que a urna foi substituída e os votos foram gravados. Gravados para quem, se ela estava com problema?”, disse o engenheiro, em vídeo divulgado em sua página nas redes sociais.

Ele reclama que a Justiça Eleitoral não liberou o código-fonte das urnas, medida que ainda é estudada pelo TSE, nem os arquivos de log (um registro de todos os eventos ocorridos no equipamento) das urnas auditadas.

O TRE-SP informou que todos os testes “confirmaram a integridade e autenticidade” dos sistemas instalados nas urnas, e que os equipamentos “tiveram comportamento escorreito, sem nenhuma intercorrência”.

Para o órgão, associar o defeito no teclado de uma única urna a uma suposta fraude nas eleições é “distorcer a realidade”.

No Paraná, uma sessão pública será agendada para a apreciação dos laudos.

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