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Eleições 2018

Record oferece tratamento diferenciado, mas Bolsonaro não retribui, ainda

Edir Macedo anunciou apoio ao candidato do PSL no dia 30 de setembro, no Facebook

Nelson de Sá
São Paulo

A Record entrevistou Jair Bolsonaro (PSL) no Domingo Espetacular, neste domingo (14). Na Globo, o Fantástico precisou recorrer a um vídeo dele no Facebook, para cumprir sua obrigação de concessão pública, de cobrir por igual os candidatos.

Mas não se pode dizer que é o candidato do PSL que privilegia a Record.

Jair Bolsonaro dá entrevista ao Domingo Espetacular de 14/10, da Record - Reprodução

Nas últimas semanas, ele também falou com exclusividade a José Luiz Datena na Bandeirantes e a Boris Casoy na Rede TV!. E no Jornal Nacional deste sábado (13) ele deu uma entrevista só para o microfone da Globo, sorridente, feliz.

O que se pode dizer é que a Record quer agradá-lo.

O Domingo Espetacular veiculou, imediatamente antes de Bolsonaro, reportagem de 12 minutos e 54 segundos, reproduzida ao longo da segunda-feira, sobre “um luxuoso tríplex com escadarias imensas, paredes de mármore, sem contar a piscina”.

É atribuído ao filho do presidente da Guiné Equatorial, que um mês atrás foi flagrado no aeroporto com milhões em dólares e relógios.

Na metade do relato, entra o que importa: “Segundo reportagem desta revista [Veja, em junho de 2015], numa conversa grampeada o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, disse: ‘Falei com o Brahma. Contou-me que quem esteve com ele foi o presidente da Guiné Equatorial, pedindo-lhe apoio sobre o problema do filho’. Segundo a Lava Jato, Brahma é apelido de Lula. Pinheiro denunciou o ex-presidente no caso do tríplex, pelo qual Lula foi preso.”

E por aí foi, com imagens de Lula —o mesmo que Edir Macedo, dono da Record, apoiou, inclusive com a manutenção de profissionais próximos como o apresentador do mesmo Domingo Espetacular, Paulo Henrique Amorim.

Macedo anunciou apoio a Bolsonaro no dia 30 de setembro, no Facebook. Até então, ele e seu partido apoiavam Geraldo Alckmin. Em 4 de outubro, enquanto a Globo realizava o último debate, a Record entrevistou Bolsonaro sem questionamentos.

O tratamento diferenciado ao candidato, por uma concessão pública, foi levado à Justiça, mas o Ministério Público Eleitoral “concluiu que a entrevista não desrespeitou a lei”, como festejou o Jornal da Record no sábado (13).

“O MP afirma que a possibilidade do tratamento diferenciado para candidatos que se encontram em situações distintas está prevista na própria lei eleitoral”, sublinhou a emissora.

Três semanas antes da conversão de Macedo a Bolsonaro, o UOL noticiou que as receitas da Igreja Universal, que são usadas na compra de horários na Record, caíram devido ao desemprego e estavam forçando corte de custos.

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