Em reunião com Bolsonaro, DEM pavimenta apoio formal ao governo

Ausência de Maia visa evitar aparência de toma-lá-da-cá

Políticos em um dos acessos ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL)
Políticos em um dos acessos ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) - Pedro Ladeira - 28.nov.18/Folhapress
Brasília

Após reunião de uma hora com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), nesta quarta-feira (12), a bancada e a cúpula do DEM pavimentaram uma aliança formal com o governo.

Com três ministros do partido anunciados, o DEM espera apenas cumprir formalidades como reunir lideranças regionais e a Executiva para anunciar que será parte da base do governo, segundo membros da legenda.

“As coisas estão caminhando para isso”, disse o presidente do DEM, ACM Neto, na saída do encontro, ocorrido no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição.

Não participou da reunião o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está em campanha para ser reconduzido no cargo. 

Sua presença sinalizaria uma negociação entre o apoio de Bolsonaro a Maia em troca da adesão do DEM ao governo, e a cúpula do partido quer evitar essa interpretação.

O prazo estipulado por ACM Neto para a finalização e anúncio do acordo, “começo do próximo ano”, sugere que pode se esperar a eleição da presidência da Câmara.

“O governo terá todo o nosso apoio na mudança da forma de conduzir a relação política do Executivo com o Congresso Nacional, que a política de toma-lá-da-cá, de troca de favores seja aposentada de uma vez por todas”, declarou ACM Neto, que também é prefeito de Salvador.

Governador eleito de Goiás, o senador Ronaldo Caiado reforçou a identificação com o antipetismo de Bolsonaro. “A tendência é de nós caminharmos com aquilo que é a nossa pauta há mais 14 anos. É uma realidade”, disse.

ACM Neto evitou demonstrar qualquer insatisfação pela demora de Bolsonaro em sentar com as cúpulas partidárias. O presidente eleito priorizou negociações com bancadas temáticas como a ruralista e a evangélica.

Questionado se a indicação de três ministros não garantia a adesão, o presidente do DEM afirmou que “mesmo que o partido não tivesse um servente no ministério, imagine três ministros, poderíamos apoiar o governo”.

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