Procurador diz que 'jipe, cabo e soldado' fecham Supremo

'Foi um momento de fazer ironia, uma brincadeira', afirmou após ser questionado pela Folha

Marina Dias Mateus Luiz de Souza
Brasília e São Paulo

Após a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello de soltar condenados presos em segunda instância, o procurador da República do Paraná Adriano Barros Fernandes disse nesta quarta-feira (19) que "basta um jipe, um cabo e um soldado" para fechar a corte.

"Coitado de você que achava que o plenário era soberano", completou o procurador em sua conta no Twitter. Ele apagou o post pouco depois.

A primeira referência de Fernandes foi à declaração de Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente eleito. O deputado federal disse em julho que bastavam "um cabo e um soldado" para fechar o STF.

Eduardo fez sua fala durante uma palestra, em que respondia a perguntas sobre uma possível ação do Exército caso o STF impedisse Bolsonaro de assumir a Presidência.

Procurado pela Folha, o procurador Fernandes disse que não estava insinuando o fechamento do STF, mas fazendo "uma brincadeira".

"Não, não, de modo algum [defendo o fechamento do STF]. Pelo amor de Deus, foi um momento de fazer ironia, uma brincadeira", afirmou.

Fernandes é integrante do Ministério Público Federal, órgão que mais tarde recorreria da decisão de Marco Aurélio. A medida acabou sendo suspensa à noite pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

A fala de Eduardo Bolsonaro também foi lembrada em redes sociais durante o dia. No Twitter, as hashtags #UmCaboUmSoldado e #CaboESoldado ficaram nos trending topics (temas mais comentados).

Com a repercussão negativa da frase dita pelo filho, Jair Bolsonaro disse em outubro que repreendeu o parlamentar. "Eu já adverti o garoto, o meu filho, a responsabilidade é dele. Ele já se desculpou", afirmou.

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