Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Quem tem que explicar é meu ex-assessor, diz Flávio Bolsonaro

Coaf relatou movimentações bancárias atípicas na conta de assessor de Flávio Bolsonaro

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou nesta terça-feira (18) que é o policial militar Fabrício Queiroz quem deve explicações sobre o relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras).

Em foto publicada no Instagram, o senador eleito Flavio Bolsonaro posa com Fabricio Queiroz, ex-assessor parlamentar cuja movimentação financeira despertou suspeitas das autoridades. - Reprodução/Instagram/ Flavio Bolsonaro

O órgão identificou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 —o cálculo soma entradas e saídas. 

"Quem tem que dar explicação é o meu ex-assessor, não sou eu. A movimentação atípica é na conta dele. No meu gabinete todo mundo trabalha", disse ele, antes da cerimônia de diplomação dos candidatos eleitos no Rio de Janeiro.

O relatório aponta uma sincronia de datas entre as datas de pagamentos de salários na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), depósitos em espécie e saques de dinheiro vivo na conta de Queiroz.

A suspeita é de que o policial militar fosse o responsável por recolher parte dos salários de assessores do gabinete do deputado estadual —prática de alguns membros do Legislativo. Bolsonaro nega a hipótese.

O senador eleito disse que seu ex-assessor lhe deu uma explicação "por alto". No sábado, ele afirmara que a versão dada por Queiroz lhe parecia plausível, termo que não repetiu.

"Ele falou alguma coisa, que geria o dinheiro da família dele. Mas quem tem que explicar é ele. Quem tem que dar detalhes é ele. Eu não posso dar [essa explicação], ele me falou por alto. Eu não posso assumir uma responsabilidade que não é minha", disse o deputado estadual.

O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga 21 deputados e seus assessores citados no relatório —um deles, mencionado por equívoco do Coaf. As denúncias são resultado da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato. A investigação está a cargo do gabinete do procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, em razão do foro especial dos deputados estaduais.

A investigação sobre Bolsonaro irá para um promotor de primeira instância após a posse em fevereiro, já que o ato sob investigação foi praticado antes de tomar posse como senador.

Ele também comentou as suspeitas de existência de funcionários fantasmas em seu gabinete. A assessora Nathalia Queiroz, filha de Fabrício Queiroz, atuava como sua assessora mesmo mantendo atividade como personal trainer.

"Todo mundo trabalhava [no meu gabinete]. Aqui não é quartel, nada impede a pessoa ter uma outra atividade. Não tem problema nenhum. No quartel é que bate ponto, entra tal hora, sai tal hora", disse ele.
 

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