Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Deputados da base de Bolsonaro comemoram Jean Wyllys deixar o país

Nas redes sociais, parlamentares como Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) fizeram piada com ameaças a colega

Angela Boldrini
Brasília

Parlamentares da base do presidente Jair Bolsonaro (PSL) comemoraram nas redes sociais a notícia de que um colega de Congresso, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), decidiu deixar o país após ameaças

O deputado federal Jean Wyllys, que decidiu não assumir o mandato
O deputado federal Jean Wyllys, que decidiu não assumir o mandato - Mauro Pimentel - 2.abr.18/AFP

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), soltou nota em que lamenta a decisão do deputado. “Lamento a decisão tomada pelo deputado Jean Wyllys. Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes no campo das ideias, reconheço a importância do seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune", diz o texto. 

Nesta quinta-feira (24), após a Folha divulgar que o deputado não assumirá o mandato para o qual foi reeleito e que diz temer por sua vida, deputados como Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), Joice Hasselmann (PSL-SP), Alexandre Frota (PSL-SP) e Carlos Jordy (PSL-RJ) foram ao Twitter para fazer piadas. 

"Se a vida da maioria dos brasileiros ainda está ruim, imagina pra quem cuspiu na cara do presidente!?", escreveu Sóstenes, que é um dos postulantes ao comando da bancada evangélica na Câmara, finalizando com dois "emojis" de gargalhada. 

Hasselmann publicou um vídeo em que mostra ter recebido uma cabeça de porco como ameaça, e afirma que o parlamentar do PSOL "teria um piti louco" se recebesse pacote semelhante. 

"Fico imaginando a reação de @jeanwyllys_real tivesse recebido um presentinho desses. Talvez sairia correndo aos gritos, arrancando os cabelos e dando um piti louco", escreveu a deputada, que almeja ser líder do PSL, partido de Bolsonaro.

Já Jordy afirmou que o parlamentar do PSOL quer se tornar "um novo Freixo", em relação ao deputado Marcelo Freixo (RJ), correligionário de Wyllys e que sofreu ameaças e anda com escolta.

"Jean Wyllys desiste do mandato de deputado federal e vai para fora do Brasil dizendo estar com medo de ameaças. Muito arriscada essa sua tentativa de se tornar um novo Freixo, hein? Melhor dizer que está pagando a promessa de Bolsonaro ser eleito. #TchauQuerida", afirmou Jordy. 

Frota foi outro que usou as redes sociais para ironizar o deputado da oposição: "Jean Willys partiu desistiu magoei achei que o Deputado fosse sentar ao meu lado... #voltajean rsrs", escreveu.

Preocupação

Em nota, a AJD (Associação Juízes para a Democracia) manifestou preocupação com a decisão de Jean Wyllys de deixar a vida pública. E exigiu do Ministério da Justiça providências que garantam a integridade física de qualquer parlamentar que seja alvo de ameaças.

"Não há verdadeira democracia sem respeito aos partidos e aos parlamentares de oposição, a suas manifestações, suas opiniões e à integridade física. Qualquer ameaça ou intimidação visando constranger ou calar a oposição deve ser prontamente rechaçada pelas instituições democráticas".

Desde o assassinato da sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vivia sob escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte, comuns mesmo antes da morte da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de abandonar a vida pública.
 

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