Sessão tensa no Senado tem bate-boca e até 'roubo' de pasta de presidente

A confusão começou quando Renan questionou a competência de Alcolumbre para presidir a sessão

Brasília

A manobra dada pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) para presidir a sessão que definirá o presidente do Senado mesmo sendo candidato causou desordem e bate-boca na Casa nesta sexta-feira (1º).

A confusão começou quando Renan Calheiros (MDB-AL), adversário de Alcolumbre na eleição interna, questionou sua competência para presidir a sessão.

Senador Davi Alcolumbre, desculpa ter chamado de presidente, em que condição Vossa Excelência está presidindo esta sessão e a anterior, que empossou os senadores?”, provocou.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), durante discussão sobre voto aberto ou fechado para escolha do presidente do Senado
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), durante discussão sobre voto aberto ou fechado para escolha do presidente do Senado - Walterson Rosa/Folhapress

Apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Alcolumbre ignorou os questionamentos de Renan e abriu uma assembleia para definir se a eleição se daria por voto aberto ou fechado. 

A atitude irritou aliados de Renan.

“Vossa Excelência não é diferente de nós. Responda às perguntas”, reclamou Eduardo Braga (MDB-AM). “Você está usurpando o poder! Está usurpando o poder”, repetiu aos berros fora do microfone Humberto Costa (PT-PE).

A senadora Katia Abreu (PDT-TO) se levantou, ocupou a Mesa Diretora e aos berros questionou Alcolumbre. “O senhor é candidato, não pode presidir a sessão!”, exclamou antes de arrancar uma pasta de documentos de suas mãos.

“Sai daí!”, ela disse, apontando os dedos ao colega. “Peço à senadora que me devolva a pasta. Essa pasta é da Mesa Diretora”, diz Alcolumbre. 

“A hora é do mais velho, que é José Maranhão. Entrega a cadeira porque você é candidato e isso vai parar no Supremo, envergonhadamente. O senhor não tem assessor, não?”, continuou Katia Abreu.

“Não, você levou a pasta com as respostas”, devolveu Alcolumbre.

A cena teatral levou a reações contraditórias do riso à indignação. Renan chegou a rir. Omar Aziz (PSD-AM) pediu para suspender a sessão. “Está parecendo grêmio estudantil”, lamentou.

Pouco antes, Renan protagonizou momento tenso. Exaltado, o alagoano lembrou um episódio da ditadura para reclamar das conduções dos trabalhos. "Canalha!, Canalha!", vociferou contra os senadores da Mesa.

Ele fez um aparte ao discurso do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) —que é favorável ao voto aberto— e citou o caso em que Tancredo Neves chamou de "canalha, canalha" o senador Auro de Moura Andrade, que, no golpe militar de abril de 1964, declarou vaga a Presidência da República.

Um burburinho no plenário gerou apreensão. Renan e Tasso Jereissati (PSDB-CE) se enfrentaram quando o tucano atacou: “Você vai para a cadeia”. Os dois na sequência se contiveram.

Colocando-se nos últimos dias como candidato à presidência do Senado, Tasso desistiu e declarou apoio a Alcolumbre.

O regimento do Senado estabelece em seu artigo 412 que uma mudança em alguma de suas regras só é possível em caso de apoio unânime do plenário.

O resultado da votação foi de 50 votos pelo registro aberto e 2 pelo secreto.

Diz o artigo, em seu inciso III, que uma norma regimental só pode ser alterada por decisões de plenário tomadas "por unanimidade, mediante voto nominal, resguardado o quorum mínimo de três quintos (60%) dos votos dos membros da Casa".

Thais Bilenky, Daniel Carvalho , Ranier Bragon e Bernardo Caram
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