Conheça dez curiosidades do Datafolha sobre a avaliação de Bolsonaro

Apoio ao presidente cai entre desempregados, mulheres e nordestinos

São Paulo

A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (7) sobre a avaliação do governo Jair Bolsonaro mostra uma divisão em algumas faixas do eleitorado em relação a expectativas e desempenho do novo governo.

Os dados indicam, por exemplo, diferenças de opinião entre grupos etários, homens e mulheres e desempregados e assalariados.

Entre a população em geral, o índice de eleitores que consideram o governo ótimo/bom é de 32%. Avaliam como regular 33%, e outros 30% entendem que a gestão é ruim/péssima.

O Datafolha fez 2.086 entrevistas em 130 municípios de todo o país nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

 

MULHERES SÃO MAIS CRÍTICAS AO PRESIDENTE

O levantamento aponta divergências de opinião entre homens e mulheres em diversos questionamentos sobre o desempenho de Jair Bolsonaro em seus primeiros meses no cargo.

A diferença na avaliação é dez pontos percentuais entre entrevistados que consideram o governo ótimo ou bom: cai de 38% entre os homens para 28% entre as mulheres.

A nota média dada aos primeiros meses de governo, por exemplo, é de 5,7 entre homens e 5,1 entre mulheres.

Entrevistadas do sexo feminino também tendem a considerá-lo menos trabalhador, mais autoritário e mais despreparado.

Na campanha eleitoral de 2018, pesquisas de opinião já apontavam uma resistência maior do eleitorado feminino à candidatura do então presidenciável do PSL.

CARACTERÍSTICAS PESSOAIS

Em uma sequência de 11 itens, o Datafolha fez perguntas específicas sobre características pessoais e sobre o modo de atuação de Bolsonaro.

Algumas respostas mostram forte visão crítica sobre o presidente. Consideram que o presidente "trabalha pouco" 50% dos entrevistados, ante 42% que acham que ele trabalha muito. Para 57%, ele é autoritário, e 49% o classificam como antiquado.

Entre itens positivos, 58% disseram que o presidente é "muito inteligente" e 52% o consideram como preparado.

DESALENTO ENTRE DESEMPREGADOS

O recorte da pesquisa de acordo com a ocupação dos entrevistados indica diferenças entre grupos da população.

Os índices de avaliação ótimo/bom de Bolsonaro passam de 22% entre desempregados que procuram emprego para 36% entre assalariados registrados.

A taxa é ainda mais alta entre quem se declarou empresário: 57% consideram o novo governo ótimo ou bom.

APOIO MAIOR ENTRE IDOSOS

O recorte etário sugere diferenças expressivas entre entrevistados ouvidos pelo Datafolha. Entre idosos com 60 anos ou mais, consideram o novo presidente da República muito inteligente 63% dos entrevistados, ante 55% dos jovens de 16 a 24 anos.

Essa tendência crítica entre os mais jovens também ocorre em questionamentos sobre autoritarismo, sinceridade e humildade do mandatário.

RACHA NA ELITE

A pesquisa Datafolha mostra uma polarização em faixas de entrevistados com alto poder aquisitivo e elevada escolaridade.

É entre entrevistados com curso superior que Jair Bolsonaro consegue aprovação mais alta —36% de ótimo ou bom—, mas também é onde a crítica é mais alta —35% de "ruim/péssimo".

Ao ouvir entrevistados com renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos, a taxa de avaliação "regular" do presidente encolhe: é de 20%. Nesse estrato, 41% consideram o governo ótimo/bom e 37% acham ruim/péssimo.

BASE NO INTERIOR

Quando os dados da pesquisa são filtrados de acordo com a natureza do município (se são de regiões metropolitanas ou no interior dos estados), também é possível notar diferenças de avaliação do governo.
Bolsonaro tende a ter mais apoio em municípios do interior. 

A nota média dada ao governo, por exemplo, cai de 5,6 no interior para 5,1 em regiões metropolitanas.
Tendência parecida há quando se observa o porte do município. Entre aqueles com até 50 mil habitantes, a nota do governo é 5,7. Nos que possuem mais de 500 mil, cai para 4,9.

APOIO CONVICTO

Os números do Datafolha mostram tendência de pouca fuga do apoio entre os eleitores mais convictos do capitão reformado no ano passado.

Quem declarou que seu partido de preferência é o PSL deu nota média de 8,3 à gestão do atual presidente.
Entre os entrevistados que declararam voto em Bolsonaro em 2018, 96% consideram que daqui para frente ele fará um governo ótimo ou bom.

Os otimistas também são 27% entre os eleitores do petista Fernando Haddad.

VOTO DECLARADO NO ANO PASSADO

O Datafolha perguntou em quem os entrevistados votaram na eleição de 2018. Os que declararam voto em Jair Bolsonaro são 52% homens e 48% mulheres. Os eleitores de Fernando Haddad (PT) são 59% mulheres e 41% homens.

No caso de votos branco, nulo ou nenhum candidato, 60% são mulheres e 40% são homens.

NORDESTE CRÍTICO

Na região em que teve seu pior desempenho na eleição de 2018, Bolsonaro também tem problemas de avaliação.

Disseram que em nenhuma situação ele se comporta como um presidente deveria se comportar 28% dos entrevistados no Nordeste, ante 20% no Sul e Centro-Oeste/Norte.

Entre os nordestinos, 61% consideram que ele trabalha pouco, ante 42% no Sul. Quando questionados se o presidente fez até agora menos do que se esperava, 68% concordaram com a afirmação no Nordeste, ante 54% no Sul.

VICE POUCO CONHECIDO

Mesmo entre eleitores de Jair Bolsonaro a taxa de conhecimento do vice-presidente, Hamilton Mourão, não é elevada. 

Entre entrevistados que declararam voto no atual presidente, só 43% responderam corretamente o nome do vice.

O índice geral é de 37%. Entre entrevistados com escolaridade fundamental, a proporção desce para 19%.

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