Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Sem sucesso inicial, Bolsonaro faz nova investida por base aliada

Presidente se reunirá com seis partidos, mas dois deles já anunciaram posição de independência

Gustavo Uribe
Brasília

Sem sucesso na primeira investida, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltará a se reunir com dirigentes partidários na tentativa de formar uma base aliada no Poder Legislativo.

Nesta terça-feira (9), ele se encontrará com os dirigentes do PR e do Solidariedade. Na quarta-feira (10), será a vez de abrir o gabinete presidencial para o PSL, o Novo, o Avante e o Podemos.

Com a exceção do PSL, as demais siglas apresentam resistência em aderir a uma coalizão governista. O Solidariedade e o Podemos, por exemplo, já anunciaram posição de independência.

"Não há chance de sermos oposição ou base. O Podemos ajuda o governo, mas somos independentes", disse a presidente do Podemos, Renata Abreu.

"A nossa ideia é ficar independente. Não dá para ir para o governo", afirmou o dirigente do Solidariedade, Paulinho da Força.

Há três meses à frente do Palácio do Planalto, o presidente ainda não conseguiu formar uma base aliada, o que já o prejudicou em votações de interesse do governo.

Ele sofreu derrotas, por exemplo, na derrubada de decreto que alterava a Lei de Acesso à Informação e na aprovação da proposta do Orçamento impositivo.

A ideia é que, nos encontros com dirigentes partidários, Bolsonaro ressalte que o Planalto está aberto a receber demandas e sugestões das bancadas federais e que abrirá mais espaço na agenda presidencial para as siglas.

Nas reuniões, de acordo com assessores presidenciais, ele pedirá apoio a pautas governistas, como a reforma da Previdência, e deve sinalizar de maneira sutil interesse de que as siglas façam parte da base aliada.

O tom foi o mesmo adotado na semana passada, quando o presidente se reuniu com PSDB, DEM, PRB, MDB, PP e PSD, e não teve resultado favorável.

Na saída do encontro, dirigentes partidários reforçaram posição de independência e nenhum partido garantiu adesão à base aliada.

Em reunião com o Solidariedade, Bolsonaro também enfrentará dificuldade em convencer a sigla a votar a favor das mudanças nas aposentadorias.

O partido irá sugerir ao presidente uma proposta alternativa, com novas idades mínimas, sem regime de capitalização e que mantenha as regras atuais a professores e trabalhadores rurais.

Para tentar superar uma articulação frágil com o Poder Legislativo, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), tem proposto aos partidos a criação de um conselho político.

A ideia é que ele seja formado por dirigentes das legendas e líderes partidários e que se reúna com Bolsonaro uma vez por mês. O dispositivo foi também criado por Dilma Rousseff (PT) no início de seu segundo mandato.

Na época, o Congresso já reclamava da falta de interlocução política do Executivo com o Legislativo, o que contribuiu para o impeachment da petista. A mesma queixa é feita hoje em relação ao governo Bolsonaro.

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