Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Chefe da comunicação de Bolsonaro nega ingerência de filhos do presidente

Em referência à Globo, Fábio Wajngarten disse que 'emissora líder' concentra verba de publicidade

Daniel Carvalho
Brasília

Em uma sessão esvaziada, com apenas dois senadores presentes, o secretário especial de Comunicação do Palácio do Planalto, Fabio Wajngarten, disse nesta terça-feira (28) que não há ingerência dos filhos de Jair Bolsonaro na comunicação do governo.

"Não noto essa ingerência dos filhos. O presidente deu à Secom liberdade total para a gente trabalhar tecnicamente", afirmou o secretário, que chegou 20 minutos atrasado à audiência da comissão de Transparência, Governança, Fiscalização do Senado para prestar informações sobre as prioridades e diretrizes da pasta que comanda.

Sem citar o nome de Carlos Bolsonaro, filho do presidente a quem é atribuído o norte da comunicação do pai, Wajngarten disse ter visto o vereador do Rio de Janeiro apenas duas vezes.

Indagado especificamente sobre a conta de Bolsonaro no Twitter, o secretário disse que, apesar de toda a comunicação oficial passar pela Secom, as postagens são responsabilidade do presidente.

 

"É óbvio que a senha do Twitter pertence ao presidente. Eu nem entro nesta seara. Ele publica o que ele quer. É direito dele, a conta é dele", afirmou Wajngarten.

"Toda linha geral de estratégia de comunicação eu compartilho com o presidente. À medida que o tempo vai passando, vamos ganhando nosso espaço. Nem tudo são flores. A gente ainda tem muito para corrigir. Entendo que há equívocos ainda na comunicação."

Ao comentar a troca de farpas entre o escritor Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, e o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), negou que a briga tenha se dado por corte de verbas.

"O que notei foi uma disputa de paixão pelo presidente, de quem queria ficar mais perto do presidente", afirmou, antes de, provocado pelo senador Major Olímpio (PSL-SP), dizer em tom de piada que falava de paixão "hétero".

"O que notei, quer seja o professor Olavo de Carvalho —que reitero que nunca o vi, que mora lá fora— e o ministro Santos Cruz —que também estamos embaixo dele com relação à pasta da Comunicação—, era apenas uma acomodação de versões em busca da proteção e promoção da comunicação. Em nada passou perto da disputa de verbas", declarou.

Wajngarten negou viés ideológico na escolha de veículos para investimento do governo e prometeu transparência em relação à verba de publicidade.

"Tenho relacionamento com inúmeros sócios, inúmeros proprietários de veículos, quase todos. E não tenho preconceito com ninguém e não vou deixar perpetuar este preconceito em quem quer que seja aqui em Brasília", afirmou.

"O governo tem que falar com todo mundo. Tem que investir em todo mundo, alicerçado nos mais rígidos critérios técnicos."

Sem citar a TV Globo, mas fazendo menção à "emissora líder", disse que a concentração de verba na empresa não condiz com a audiência que ela atinge.

"A gente tem uma emissora líder com 35% da audiência, aproximadamente, para um total investido nela entre 80% e 85%. Este é um ecossistema que o mercado precisa repactuar. Isso contribui para a concentração das verbas e não para a distribuição das mídias regionais e o fortalecimento dos veículos regionais. Quanto mais concentrado for e menos técnico for, menos sobrará para os outros veículos. Eu também tenho uma preocupação com isso", disse Wajngarten.

Ele citou alguns grupos de mídia em dificuldade financeira e afirmou que será "um lutador" para a manutenção "destas cadeias empregatícias vivas".

"Não dá para ter uma Editora Abril quebrando, uma RedeTV! em dificuldades financeiras, uma Rede Bandeirantes muito endividada, muitos jornais fechando. Não fico feliz com isso. A gente tem que fazer movimentos contrários para fortalecer os grupos de comunicação. Não dá para fingir que nada acontece. A gente tem que promover a repactuação do setor. Esta diferença entre audiência e investimento é nociva para o ecossistema todo", disse o chefe da Secom de Bolsonaro.

Ao comentar sobre a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), disse que é preciso adequar a empresa à evolução tecnológica.

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