Crianças exibem réplicas de armas em desfile oficial do 9 de Julho em São Paulo

Evento comemora Revolução Constitucionalista de 1932; PM diz que orientará pais para evitar repetição da cena

São Paulo

evento oficial do dia 9 de Julho em São Paulo, que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932, teve a presença de crianças desfilando com réplicas de armas de fogo na manhã desta terça-feira (9).

O desfile cívico-militar ocorreu em frente ao Mausoléu do Obelisco, na região do parque Ibirapuera, e contou com a presença do governador em exercício, Rodrigo Garcia (DEM) —João Doria (PSDB) está em viagem em Londres.

A reportagem verificou pelo menos dez crianças que exibiam as armas de brinquedo no desfile, acompanhadas de adultos. Estavam no evento policiais militares, escoteiros e bombeiros.

Questionada, a Polícia Militar responsabilizou os pais das crianças e disse que tentará evitar a repetição das cenas nos desfiles futuros. 

"Quanto ao uso de armas de brinquedos, seus pais serão orientados a não mais deixarem seus filhos as portarem em futuros desfiles", afirma.

O Palácio dos Bandeirantes também foi procurado pela Folha, mas informou que a manifestação seria dada apenas pela polícia. 

O trajeto do desfile saiu do Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, próximo ao parque do Ibirapuera, às 9h. O local é onde estão sepultados os corpos de centenas de mortos na revolução.

Em sua nota, a Polícia Militar disse que "valoriza as crianças que têm orgulho em vestir a farda de seus verdadeiros heróis" e que, neste sentido, "motiva às crianças a desfilarem" na homenagem do 9 de Julho "como forma de incentivar seu patriotismo e civismo".

O evento realizado nesta terça em São Paulo foi em comemoração ao início da Revolução Constitucionalista de 1932. O levante foi protagonizado pelo estado de São Paulo contra o governo provisório do presidente Getulio Vargas.

A data é lembrada no estado desde 1997, ano em que o então governador do estado, Mário Covas (PSDB), sancionou a lei que instituiu o feriado.

A ampliação do porte de armas no país é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha eleitoral. Embora a medida seja para adultos, ele se notabilizou pelo gesto de arma feito com as mãos, repetido também por crianças —geralmente filhos de simpatizantes.

O artigo 26 Estatuto do Desarmamento, de 2003, proíbe a fabricação, venda e importação de réplicas ou armas de brinquedo, com exceção das réplicas e simulacros destinados à instrução, ao adestramento ou à coleção de usuário autorizado.

Roberto Tardelli, advogado e ex-procurador do Ministério Público do Estado de São Paulo, disse à Folha não ver crime na presença das réplicas com as crianças no desfile pelo fato de elas não terem sido usadas com intenção de ameaça ou intimidação.

Já houve tentativas de tornar ilegal o porte de arma de brinquedo e simulacros. No Senado, dois projetos de lei, um criminalizando o porte e outro apenas o porte em ação criminosa, já foram apresentados. 

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