Presidentes da Câmara e do Senado também foram alvos de hackers

Sergio Moro avisou congressistas de ataque nesta quinta-feira (25)

Camila Mattoso Daniel Carvalho
Brasília

 Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), também foram vítimas de ataques hackers. O ministro da Justiça, Sergio Moro, fez ligações aos alvos nesta quinta-feira (25) para tentar comunicá-los. 

A Polícia Federal prendeu na última terça-feira (23) quatro pessoas que estariam envolvidas com as invasões de celulares de autoridades. 

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos do DEM
Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos do DEM - André Coelho - 5.jun.19/Folhapress

Maia já foi avisado, mas Davi está incomunicável. De acordo com assessoria, o presidente do Senado participa de uma festividade religiosa em Mazagão Velho, no interior do Amapá, sem sinal de telefone. 

Segundo informações da PF, mais de mil pessoas podem estar na lista de alvos dos hackers. Em alguns casos, os ataques tiveram sucesso, mas em outros não —o que está em apuração.

Mais cedo, o ministério da Justiça anunciou o presidente Jair Bolsonaro também foi vítima.

No dia 8 de julho, Maia foi orientado pelo Depol (Departamento de Polícia Legislativa) a acessar o Telegram para verificar se havia indícios de atuação de hackers. Nada foi identificado.

Em nota, Maia disse que que não utiliza o aplicativo Telegram e que teve conhecimento de um suposto hackeamento pela imprensa.

​Davi Alcolumbre também divulgou nota. "Manifesto minha indignação com a invasão de minha privacidade e não posso deixar de reafirmar minha repulsa às atividades desses criminosos virtuais, pois elas também representam uma afronta aos Poderes da República e à população brasileira", disse o presidente do Senado no início da noite. 

Para a Polícia Federal, Walter Delgatti Neto, preso na última terça sob suspeita de atuar como hacker, foi a fonte do material que tem sido publicado desde junho pelo site The Intercept Brasil com conversas de autoridades da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Em depoimento, como revelou a Folha, Delgatti disse que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira.

ENTENDA A OPERAÇÃO

Qual o resultado da operação da PF? Nesta terça (23), quatro pessoas foram presas sob suspeita de hackear telefones de autoridades, incluindo Moro e Deltan. Foram cumpridas 11 ordens judiciais, das quais 7 de busca e apreensão e 4 de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP). Os quatro presos foram transferidos para Brasília, onde prestariam depoimento à PF

As prisões têm relação com as mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava Jato divulgadas desde junho pelo site The Intercept Brasil? Walter Delgatti Neto, um dos suspeitos presos na operação de terça, afirmou em depoimento que encaminhou as mensagens que obteve ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira. Não há até agora indício de que tenha havido pagamento pelo material divulgado, segundo investigadores.

Como a investigação começou? O inquérito em curso foi aberto em Brasília para apurar, inicialmente, o ataque a aparelhos de Moro, do juiz federal Abel Gomes, relator da Lava Jato no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), do juiz federal no Rio Flávio Lucas e dos delegados da PF em São Paulo Rafael Fernandes e Flávio Reis. Segundo investigadores, a apuração mostrou que o celular de Deltan também foi alvo do grupo.

Quando Moro foi hackeado? Segundo o ministro afirmou ao Senado, em 4 de junho, por volta das 18h, seu próprio número lhe telefonou três vezes. Segundo a Polícia Federal, os invasores não roubaram dados do aparelho. De acordo com o Intercept, não há ligação entre as mensagens e o ataque, visto que o pacote de conversas já estava com o site quando ocorreu a invasão

O conteúdo das mensagens será destruído, como chegou a afirmar Moro? Para especialistas ouvidos pela Folha, uma decisão nesse sentido cabe apenas ao juiz responsável pelo caso. O professor de direito processual penal da PUC-SP Cláudio Langroiva diz que o magistrado pode optar por manter todo esse material intacto e sob sigilo até que o processo tenha uma decisão final. Esses materiais, por exemplo, podem ser úteis tanto à acusação quanto à defesa ao longo de uma eventual ação penal. Outra possibilidade é o Ministério Público pedir o descarte de parte dessas provas antes da sentença, desde que ela já tenha sido periciada e que uma parcela de informações básicas continue armazenada

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