Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Ninguém foi tão atacado quanto Bolsonaro', diz novo líder do governo no Congresso

Senador Eduardo Gomes (MDB-TO) defende presidente no caso do vídeo das hienas e afirma que crise no PSL 'começa e termina em si mesmo'

Danielle Brant, da Folha Hanrrikson de Andrade, do UOL
Brasília

Novo líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) sai em defesa do presidente Jair Bolsonaro no episódio do vídeo com críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e afirma que, na política recente do país, ninguém foi tão atacado e precisou se defender tanto quanto o capitão reformado.

"É evidente que a gente quer uma política de boa qualidade, a gente quer um debate bom, mas também sempre tenho dito que o presidente Bolsonaro, pela forma com que teve a sua carreira política interpretada, foi obrigado sempre a se defender m uito de todos os tipos de ataque", diz ele, em entrevista concedida no estúdio compartilhado da Folha e do UOL em Brasília.

O novo líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), em entrevista no estúdio da Folha e do UOL em Brasília
O novo líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), em entrevista no estúdio da Folha e do UOL em Brasília - Kleyton Amorim/UOL

No vídeo publicado na segunda-feira (28), Bolsonaro se compara a um leão acossado por hienas. Uma delas representa o STF. Outras simbolizam a imprensa, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a ONU, partidos de oposição (como PT e PC do B) e seu próprio partido, o PSL.

Para Gomes, que diz ter um relacionamento cordial com Bolsonaro, o posterior pedido de desculpas do presidente deveria apaziguar os ânimos.

"Nesse episódio, ele fez as retratações que achou corretas", diz. "O importante é que o presidente fez o reconhecimento e, como presidente da República, isso deve ser agora interpretado por aqueles que se sentiram atacados."

Gomes era vice-líder do governo no Senado quando o PSL mergulhou em um racha que opôs aliados de Bolsonaro aos congressistas que apoiam o presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar (PE). 

 

Como resultado da crise, a deputada Joice Hasselmann (SP) foi destituída da liderança do governo no Congresso e substituída por Gomes.

Em sua opinião, a crise no PSL, embora grande, não vai contaminar votações importantes para o Planalto no Congresso, como a reforma administrativa, a reforma tributária ou o pacto federativo.

Isso porque, na avaliação do senador, o brasileiro já está acostumado com governos que tinham "crises por todos os lados", como o mensalão –esquema ilegal de financiamento político organizado pelo PT para corromper congressistas e garantir apoio ao governo Lula no Congresso– e a Operação Lava Jato – investigação de corrupção na Petrobras envolvendo políticos de vários partidos e algumas das maiores empresas públicas e privadas do país, principalmente empreiteiras.

"Acredito que essa crise do PSL começa e termina em si mesmo", afirma. "Os parlamentares do PSL vão exercitar essa discussão, e essa briga deve terminar em breve porque eles vão precisar disputar a eleição [municipal de 2020]."

Gomes, que já passou por partidos como Solidariedade, PP, PSB e PSDB, não se preocupa com a falta de uma base sólida do governo Bolsonaro no Congresso. 

"É um aprendizado, mas a gente nota hoje que, para as causas mais fortes da proposta do Poder Executivo, quando elas são boas para população, a base é sólida", diz.

Por outro lado, pontua, a oposição não consegue se organizar em torno de uma agenda comum. "Porque muitas pessoas reclamam, 'ah, não existe base do governo', mas aí vem uma segunda pergunta: qual é a base da oposição? O que a oposição propõe? Quando a oposição vai unir forças em torno da sua proposta?"

Embora esteja em seu primeiro mandato como senador, o político já ocupou o cargo de deputado federal por três legislaturas, de 2003 a 2015. 

Com base nessa experiência, rechaça qualquer possibilidade de o governo conseguir aprovar uma reforma administrativa que reduza o salário do funcionalismo público.

"Eu, na minha opinião, com a experiência desses poucos anos de mandato, acho impossível", afirma. "Não há nenhum debate sobre quebra de estabilidade. Qualquer tipo de mudança na questão do funcionalismo só ocorrerá a partir de novos concursos. Então todos que estão no exercício terão seus direitos preservados."

Titular da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que apura o uso de fake news nas eleições de 2018, Gomes defende que o grupo de 64 parlamentares não fique lidando somente com "escombros" da disputa que levou Bolsonaro à Presidência.

Ele argumenta que deveria ter como resultado marcos regulatórios e definições de crimes nas redes sociais e contra a reputação de usuários.

"Se a CPMI funcionar apenas para discutir ressaca eleitoral, aí não. Vamos perder tempo, energia, e não vamos avançar."

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