Coletivo de jornalistas cobra do Twitter exclusão de postagens ofensivas a repórter da Folha

Grupo formado por mulheres organizou abaixo-assinado pedindo esclarecimentos à rede social

São Paulo

O coletivo Jornalistas Contra o Assédio lançou, nesta sexta-feira (14), um abaixo-assinado para pedir ao Twitter explicações sobre o que a plataforma "entende por discurso de ódio". O pontapé inicial foram postagens que difamam a repórter da Folha Patrícia Campos Mello.

No documento, as jornalistas defendem que "é urgente que a plataforma retire imediatamente de circulação material dessa natureza e colabore com a responsabilização dos autores de contas destinadas a esse fim".

O coletivo afirma ainda que "foram inúmeras as denúncias" de conteúdos feitas na própria rede social por internautas —às quais o Twitter teria respondido que não ferem as suas regras.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investiga a divulgação de notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual, raliza oitiva decorrente do requerimento nº 214/2019.Mesa:relatora da CPMI das Fake News, deputada Lídice da Mata (PSB-BA);presidente da CPMI das Fake News, senador Angelo Coronel (PSD-BA); depoente Hans River do Rio Nascimento.
Ex-funcionário de empresa de disparos em massa, Hans Nascimento (à dir.) presta depoimento nesta terça (11) na CPMI das Fake News - Jane de Araújo - 11.fev.2020/Agência Senado

No topo do abaixo-assinado figuram alguns exemplos: um deles é de uma postagem de Allan dos Santos, do canal Terça Livre. Ele publicou, na manhã do dia seguinte ao depoimento de Hans River do Rio Nascimento na CPMI das Fake News, uma montagem em que uma mulher se debruça sobre a janela de um carro e conversa com um homem, que está dentro do veículo.

Na imagem, que simula uma cena de prostituição, a mulher está com um vestido estampado com a estrela símbolo do PT. No lugar do seu rosto está o logo da Folha.

"Até quando o Twitter Brasil vai compactuar com discursos de ódio e prática explícita de assédio contra jornalistas, afirmando que elas 'não violam as regras de conteúdo'? Esse tipo de afirmação, quando uma jornalista foi atacada milhões de vezes, é um desrespeito à classe jornalística e às mulheres. É um desrespeito, em resumo, aos valores democráticos de um país", afirma o coletivo no documento.

Em depoimento prestado na última terça-feira (11) à comissão de inquérito no Congresso, o ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, mentiu e insultou a jornalista.

Sem apresentar provas, ele afirmou que Campos Mello queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”, declaração repercutida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) nas redes sociais.

Hans, que foi consultado pela jornalista na época da reportagem, disse ainda que não havia encaminhado documentos para a repórter e afirmou não saber como o jornal acessou um processo que é público. A Folha desmentiu as acusações.

Em nota, o Twitter afirmou que tem regras que determinam os conteúdos e comportamentos permitidos na plataforma e que, no caso citado, já foram tomadas medidas em relação a algumas publicações, enquanto outras ainda estão em processo de revisão.

"O Twitter condena comportamentos que intimidem ou tentem silenciar vozes, e nosso trabalho para evitar que isso aconteça está em constante aprimoramento. Temos avançado em algumas frentes, como o uso de tecnologia para identificar proativamente conteúdos que violem nossas regras, mas sabemos que ainda há muito a ser feito", afirmou.

Até as 18h20 desta sexta-feira, o abaixo-assinado tinha 690 apoios.

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