Descrição de chapéu Eleições 2020

Eleição em Santos tem desembargador com 'apoio oficial' de Bolsonaro

Ivan Sartori (PSD), ex-presidente do Tribunal de Justiça de SP, é próximo de Eduardo Bolsonaro e crítico do governador Doria

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Santos

A disputa eleitoral deste ano em Santos, no litoral paulista, foi aquecida logo em seu início por uma declaração à distância do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no último dia 24.

Durante uma transmissão ao vivo, Bolsonaro indicou que pode intervir com apoio a um candidato nas eleições municipais em Santos, São Paulo e Manaus. No começo deste ano, ele havia declarado que não iria se envolver no pleito.

“Em Santos, é uma pessoa conhecida de todo mundo. Espero que ele cresça nas pesquisas, cresça frente a opinião pública”, disse na live.

O nome apoiado por Bolsonaro na cidade será o do desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivan Sartori (PSD), 63. Eles estiveram juntos no último dia 22, em Brasília, para um encontro a portas fechadas.

“Pedi apoio e ele [Bolsonaro] sinalizou positivamente, dentro de suas possibilidades, dado o cargo que ocupa”, disse Sartori à Folha.

Ivan Sartori, candidato à Prefeitura de Santos, posa com o presidente Jair Bolsonaro
Ivan Sartori (PSD), candidato à Prefeitura de Santos, posa com o presidente Jair Bolsonaro em Brasília - Divulgação

A corrida pelo cargo em Santos terá um recorde de postulantes neste século, com 17 nomes —nenhuma mulher entre eles. Desde 2004, no máximo nove nomes concorriam à prefeitura.

Sartori é formado em direito e mestre em direito da saúde. Foi desembargador do TJ-SP entre 1981 e 2019 e ficou conhecido em 2016 pela atuação como relator do julgamento dos policiais militares do massacre no Carandiru, ocorrido em 1992. Seu voto foi pela absolvição dos 74 réus, invocando legítima defesa.

O magistrado é um crítico da atual gestão do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e do governador João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro. Barbosa, inclusive, rebateu comentários feitos por Sartori em meio à pandemia do novo coronavírus.

Em abril, ganhou repercussão um dos vídeos publicados em suas redes sociais criticando o fechamento das praias e outras medidas adotadas pela Prefeitura de Santos durante a quarentena.

Sartori contestou a competência do município para as decisões e usou o termo "ditadura", citando também Doria. O vídeo foi compartilhado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

“A quarentena deveria ter sido vertical, com observância rigorosa dos protocolos sanitários, nunca horizontal”, diz o desembargador aposentado.

Desde 2016, Sartori possui relação próxima com Eduardo, segundo ele o membro da família presidencial com quem tem maior diálogo.

“Mantive contatos com o deputado Eduardo [Bolsonaro] em relação à política local de Santos. Procurei auxiliar na reestruturação do PSL local, quando ele era presidente estadual. Admiro o deputado pela coragem, a exemplo do pai, cultura e dinamismo."

O atual prefeito, por sua vez, aposta na indicação do odontólogo Rogério Pereira dos Santos (PSDB), 54, para sua sucessão. Ele tem mestrado em saúde coletiva e foi secretário municipal até maio.

Além de Barbosa, Rogério contará com o apoio de Doria. O governador optou por não participar de nenhuma convenção partidária fora da capital. Mesmo assim, já gravou vídeo com o candidato. A coligação contará com oito partidos: PSDB, PSB, PSL, PP, DEM, Republicanos, Podemos e PL.

Entre outros postulantes aparece o vereador Antonio Carlos Banha Joaquim (MDB). Advogado e administrador de empresas, está no quinto mandato na Câmara local.

Vicente Cascione (Pros), advogado e professor universitário, foi deputado federal por duas vezes e tenta pela quarta vez a candidatura à prefeitura.

Pelo PT, o advogado e professor Douglas Martins será o candidato. Ele foi secretário-adjunto de Promoção da Igualdade Racial durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PSOL lançou Guilherme Prado, 30, o mais novo entre os 17 candidatos. Ele é formado em relações internacionais e ciências humanas sociais.

O policial e professor universitário Carlos Alberto de Sá Romano (DC) é fiel apoiador de Bolsonaro. Durante a quarentena, comandou diversas carreatas criticando as medidas de distanciamento social e defendendo a reabertura imediata do comércio.

“A minha campanha é quase artesanal, não temos um centavo em conta, mas creio que pode ser um exemplo”, afirma Romano.

Também disputam a prefeitura do município de 433 mil habitantes o empresário Bayard Freitas (PTB); o analista tributário Carlos Paz (Avante); o médico Márcio Aurélio Soares (PDT); o empresário João Vilela (Novo); o servidor público aposentado Luiz Xavier (PSTU); o empresário Marcelo Gomes (PRTB); o jornalista Moysés Fernandes (PV); o ator e diretor Tanah Corrêa (Cidadania); e o empresário Thiago Andrade (PC do B).

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