Descrição de chapéu STF

Barroso, do STF, homologa delação premiada de fundador da Qualicorp

Empresário José Seripieri Filho foi preso sob acusação de repasse em caixa dois para campanha de José Serra

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Brasília e São Paulo

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou a delação premiada de José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp, gigante do ramo de seguro de saúde.

O acordo foi fechado com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em novembro e aguardava a validação do ministro do Supremo.

Seripieri concordou pagar cerca de R$ 200 milhões de ressarcimento aos cofres públicos pelos crimes cometidos. Foi um das vinte delações celebradas em 2020 pela PGR, segundo balanço divulgado nesta terça-fera (15).

A colaboração é vista com apreensão no mundo político pela proximidade do empresário com figuras importantes da República e pelo montante de repasses financeiros que ele fez a políticos de vários partidos.

Seripieri Filho tinha acesso direto a figuras como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB), os ex-governadores de São Paulo Geraldo Alckmin e José Serra e o atual governador, João Doria, todos do PSDB, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ).

José Seripieri, que tinha sido preso nesta semana
José Seripieri, da Qualicorp - Zanone Fraissat - 25.out.13/Folhapress

Os favores e agrados de Seripieri a políticos das mais diversas correntes eram conhecidos. O ex-presidente Lula usou o helicóptero do empresário depois que deixou a Presidência da República.

A mesma aeronave foi usada por pelo menos um familiar de Alckmin. Era de Seripieri o helicóptero que caiu em 2015 com o filho mais novo do então governador, Thomaz, morto no acidente em Carapicuíba (SP).

O empresário frequentava as festas promovidas pela então senadora Marta Suplicy, hoje sem partido e que foi prefeita de São Paulo pelo PT.

O fundador da Qualicorp também era figura carimbada dos eventos promovidos pelo Lide, empresa que pertencia a João Doria e hoje é administrada por um filho do governador. Neste caso, a relação ia além de um simples convidado.

Daniela Filomeno, sua esposa, foi diretora de comunicação do Grupo Doria e ex-conselheira do Lide. Jornalista e publicitária, ela foi editora-chefe das publicações da Doria Editora entre 2007 e 2015. Em 2014, ela assumiu o posto de vice-presidente do comitê de gestão do grupo. Após a prisão de Seripieri Filho, a empresa da família Doria divulgou uma nota.

"Hoje [21 de julho, dia da prisão de Seripieri], diante de sua vinculação com as notícias veiculadas em imprensa nacional, Daniela foi oficialmente afastada de seu cargo institucional, não havendo mais nenhuma forma de ligação entre ela e o Lide Futuro", afirmou a assessoria.

Ainda segundo o comunicado, "durante sua participação no comitê do Lide Futuro, Daniela nunca ocupou função executiva ou teve participação societária da empresa, sendo sua atribuição apenas participar das reuniões periódicas do comitê".

A Qualicorp também era uma das empresas patrocinadoras dos eventos do Lide. Seripieri Filho foi premiado em algumas edições, como no Prêmio Lide 2013, na categoria Líder do Setor de Serviços.

A Folha apurou que um dos assuntos abordados por Seripieri Filho em sua delação é a ida de um de seus ex-funcionários para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que regula o setor onde atua a Qualicorp.

Durante a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), Maurício Ceschin, ex-presidente da Qualicorp, foi para a ANS, o que causou incômodo no setor.

Neste ponto específico da delação, por não haver prerrogativa de foro, a investigação será remetida para a primeira instância da Justiça Federal.

Seripieri Filho foi introduzido ao círculo de poder petista pelo ex-ministro Antonio Palocci, hoje delator na Lava Jato e de quem foi vizinho de apartamento no prédio.

O fundador da Qualicorp foi preso em julho deste ano na Operação Paralelo 23, da Polícia Federal, que investiga suposto esquema de caixa dois na campanha de José Serra ao Senado, em 2014. Ficou três dias encarcerado, até que o juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas determinou sua soltura.

A investigação é desmembramento da Lava Jato e aponta pagamento de R$ 5 milhões não contabilizados, feitas por Seripieri Filho, à campanha do tucano.

Em 4 de novembro, Serra e Seripieri Filho se tornaram réus na Justiça Eleitoral em São Paulo. Eles são acusados de caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A assessoria de imprensa de José Seripieri Filho disse que o empresário não irá comentar a delação.

O ex-presidente Lula também não quis comentar sobre as viagens no helicóptero do empresário.

Nesta terça, a assessoria de João Doria voltou a se manifestar sobre a relação do governador com Seripieri.

"A assessoria do governador João Doria esclarece que Daniela Filomeno Seripieri não é investigada na operação citada pela reportagem. Daniela atuou, no passado, nas empresas anteriormente ligadas ao governador e não faz mais parte do quadro de colaboradores desde 2015."

A assessoria de José Serra disse que o senador não conhece o teor da delação e por isso é impossível fazer comentários.

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