Para Doria, pronunciamento de Bolsonaro foi disfarce para enganar o país

Em rádio e TV, presidente mentiu sobre ações do governo na pandemia e agora disse que 2021 será o ano da vacinação

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São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que a mudança de tom do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no pronunciamento feito pela TV na noite da terça-feira (23), quando passou a defender a vacinação em massa para a população, foi um disfarce para enganar o país.

Doria disse que o Bolsonaro faz um pacto com a morte. "É o que ele está acostumado a fazer ao propor cloroquina, não defender vacinas, não usar máscaras, estimular aglomerações e fazer um disfarce, como fez ontem [terça] no seu pronunciamento à nação. Foi um disfarce para enganar o país. Ali está o retrato de um mentiroso", disse o governador.

"O presidente não só foi um negacionista desde o início da pandemia, como também não tem coordenação nacional, nem por ele nem pelo Ministério da Saúde", afirmou.

Nesta quarta-feira (24), Bolsonaro fez uma reunião com governadores para discutir medidas de combate à pandemia no país. Doria, que não foi convidado para o evento, criticou a ação do presidente.

"Fazer um pacto de união nacional apenas com os que adulam e apoiam o presidente é um jogo de cena, e disso não participo. Lamentamos que o presidente chame isso de pacto nacional", afirmou.

O governador fez as declarações durante uma entrega de vacinas no Instituto Butantan, nesta quarta-feira (24). Foram enviadas ao Ministério da Saúde mais 2,2 milhões de doses da Coronavac, usada contra o coronavírus Sars-CoV-2. Os imunizantes são encaminhados ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) para serem distribuídos proporcionalmente entre os estados.

Com a entrega das vacinas nesta quarta, o total de unidades de imunizantes repassados pelo governo de São Paulo ao Ministério da Saúde chega a 27,8 milhões de unidades. Os envios começaram em 17 de janeiro.

Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, a Coronavac é processada e envasada pelo Instituto Butantan através de um acordo entre o governo de São Paulo com a empresa.

Segundo o governo de São Paulo, até o fim de abril o Instituto Butantan deve entregar 46 milhões de doses da vacina. Em agosto, o total deve chegar aos 100 milhões contratados pela pasta. Novos lotes do IFA (insumo farmacêutico ativo), a matéria prima para a vacina vinda da China, devem ser entregues até o fim de março ou início de abril, segundo o Butantan.

A vacinação contra a doença é uma das maiores prioridades do combate à pandemia em meio aos números cada vez mais altos de mortes causadas pelo vírus no país. A Coronavac é, cada vez mais, a principal esperança na campanha de vacinação nacional.

A outra vacina disponível no Brasil, a Covishield, produzida por uma parceria entre a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e a Universidade de Oxford, é processada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) por meio de um acordo bancado pelo governo federal. Mas a produção tem sofrido atrasos consecutivos, e as estimativas de entregas do imunizante são constantemente reduzidas.

Na terça-feira (23), o Centro de Contingência da Covid-19 recomendou que o estado de São Paulo prorrogue por mais 15 dias a fase emergencial do Plano São Paulo como tentativa de barrar o avanço do vírus no estado. A informação foi confirmada à Folha pelo coordenador do centro, o médico Paulo Menezes. De acordo com ele, o governo ainda não decidiu sobre a proposta.

Em vigor desde o dia 15 de março, a etapa emergencial deve continuar até o dia 30 deste mês, inicialmente. Mais dura que a fase vermelha, a emergencial impõe um toque de recolher das 20h às 5h, entre outras restrições.

Os altos números de expansão da doença no estado pressionam uma decisão por estender as medidas restritivas.

Na terça-feira (23), somente o estado de São Paulo registrou 1.021 mortes causadas pela Covid-19 em um período de 24 horas, o número mais alto até o momento dentro da pandemia.

Pelo estado, hospitais lotados dificultam o acesso ao cuidado dos doentes em estados mais graves, o que pode fazer crescer ainda mais o número de óbitos.

No país todo, foram registradas 3.158 mortes causadas pelo coronavírus na terça-feira (23), um recorde de óbitos em um dia.

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