Descrição de chapéu O Futuro do Nordeste

Eólicas reduziriam impacto de apagão no Nordeste, diz especialista

Com estiagem e baixo nível dos rios, esse tipo de energia responde por mais de 50% do abastecimento da região

Leonardo Neiva
Fortaleza

O apagão ocorrido em estados do Norte e Nordeste na quarta-feira (21) foi um incidente pontual, natural em um sistema complexo como o de transmissão de energia da região, segundo especialistas que debateram o tema de energias renováveis em seminário da Folha, na quinta-feira (22), em Fortaleza.

A falha foi causada por um disjuntor na subestação de Xingu, no Pará, que integra o sistema de escoamento da energia de Belo Monte. O Nordeste é abastecido pela usina, devido à baixa produção de suas hidrelétricas.

O impacto da falha, porém, poderia ter sido menor, pois a região tem potencial para gerar mais energia eólica do que produz, segundo Jurandir Picanço, presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis da Adece (agência de desenvolvimento do Ceará).

Da esq. para a dir. Everton Lopes Batista, mediador e jornalista da Folha, Jurandir Picanço, da Adece (Agência de Desenvolvimento do estado do Ceará), Roberto Pordeus, diretor da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), e Solange Ribeiro, diretora-presidente adjunta da Neoenergia, durante seminário da Folha que debateu o futuro do Nordeste, em Fortaleza
Da esq. para a dir. Everton Lopes Batista, mediador e jornalista da Folha, Jurandir Picanço, da Adece (Agência de Desenvolvimento do estado do Ceará), Roberto Pordeus, diretor da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), e Solange Ribeiro, diretora-presidente adjunta da Neoenergia, durante seminário da Folha que debateu o futuro do Nordeste, em Fortaleza - Keiny Andrade/Folhapress

Com a estiagem e o baixo nível dos rios, a energia eólica responde por mais de 50% do abastecimento da região, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

“As energias eólica e solar começaram com valores elevadíssimos, e agora estão caindo. O Nordeste tem os melhores ventos entre todas as regiões do Brasil”, afirmou.

Para a diretora-presidente adjunta da empresa Neoenergia, Solange Ribeiro, pelas condições favoráveis e pelos altos investimentos, o Nordeste deve se tornar exportador de energia no futuro.

Solange, no entanto, apontou para uma dificuldade do modelo eólico. “O vento é um recurso que nem sempre está disponível. Hoje ele é complementado com termoelétricas e hidrelétricas.”

Ela defendeu o uso de novas tecnologias de armazenamento, como baterias ou usinas hidrelétricas reversíveis, que guardam energia excedente para utilizar em períodos de alta demanda.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.