Estilista, futurista e arquiteto opinam sobre o significado de 'inovação'

Profissionais de diferentes áreas têm visões distintas sobre emprego do termo

São Paulo

Afinal, o que é inovação? Veja abaixo a opinião de profissionais de diferentes áreas --da moda à arquitetura-- sobre o tema.

“Inovação é o que abre novos caminhos e olhares para o que ainda não foi feito ou percebido” 
Ronaldo Fraga, estilista

“Mudar a receita. Se você faz algo, tem uma receita para fazê-lo. Inovar é mudá-la para fazer de maneira diferente da qual você está acostumado, gerando uma melhora no produto final”
Sergio Queiroz, coordenador adjunto de pesquisa para inovação na Fapesp

“Transformar novas ideias em resultados, com impacto econômico, social, ambiental etc. Se não há resultado, não tem inovação. Se você implementa em sua empresa algo que já existe no mercado, não é inovação, mas só uma adequação” 
Maximiliano Carlomagno, sócio-funcador da Innoscience, consultoria em gestão da inovação 

Herman Tacasey

 

“Diferentemente do que se imaginava no passado, não é criar, mas fazer releitura sobre o que já existe, empregando proposta nova. A tecnologia é importante para desenvolver ideias, mas sozinha não proporciona a inovação”
Junior Boreli,  fundador da StartSe, empresa de educação executiva continuada

“Não vale mais aquela inovação concebida antes, de incremento ou ruptura de conceitos de bens e serviços. Olhando para o futuro, quem quiser inovar terá que trazer segurança e bem-estar para o maior número de pessoas, em sintonia com a sustentabilidade do planeta. Tem que ser inovação com foco no longo prazo, para fazer durar, para otimizar recursos e preservar”
Rosa Alegria, futurista

“Há a inovação disruptiva, que é criar algo novo, e a incremental, que melhora a forma de coisas já existentes. Ambas têm que trazer benefícios para os consumidores”
Geciane Porto, vice-coordenadora da Auspin (Agência USP de Inovação)

“Eu gosto da definição do Clay Christensen [professor de Harvard]. Ele divide a inovação em três tipos: a de continuidade, a de eficiência e a que cria mercados. No Brasil, a gente faz no máximo as duas primeiras, que são sempre em relação a processos que já estão em curso" 
Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio e colunista da Folha

“Inovação é criar produtos melhores, serviços melhores e experiências melhores para as pessoas,  levando em conta a sustentabilidade da cadeia envolvida. Inovações precisam remunerar quem as oferece. Dentro das limitações, somos inovadores como país em praticamente todas as áreas, seja criando produtos e serviços novos e impactantes, seja resolvendo grandes problemas com as nossas famosas gambiarras. Tudo é só uma questão de escala. Para acelerar a inovação, podemos pensar nela como um bem de capital: bem desenvolvida, é uma futura geradora de receitas e impostos.”
Levi Girardi criou e chefia a Questtonó, empresa com escritórios em São Paulo, Rio e Nova York e foco na consultoria em inovação

“Nas emoções, nas cores, na natureza e na diversidade o Brasil é inigualável. Temos menos autonomia na tecnologia e somos pouco competitivos. Não somos conhecidos por inovar em computadores, smartphones e carros. Mesmo assim, de década em década tiramos do papel um Gurgel ou um Troller. Gosto muito desse espírito sul-americano tropical que não sabia que não era possível fazer e foi lá e fez. Simples assim. É o espírito que nos anos 1950 Lina Bo Bardi viu no povo brasileiro e que até hoje discutimos e brigamos e não conseguimos nos reconhecer nele.”
Christian Ullman é professor do Istituto Europeo di Design São Paulo e pesquisador do Núcleo de Design e Sustentabilidade da UFPR

“A natureza é um designer de 3,8 bilhões de anos e inova constantemente. O design inovador deve estar alinhado com a natureza num processo regenerativo que crie soluções e condições para o sustento da vida. Os humanos não podem ser mais chamados de consumidores. São parte ativa do processo de geração de necessidades, uso dos objetos e serviços e corresponsabilidade para com seu futuro. A consciência de que não somos simplesmente sujeitos que consomem e despejam, mas sim de que fazemos parte de um ciclo regenerativo de matéria, energia e informação, vai permitir uma evolução do design integrado com a sociedade e processos cíclicos da natureza. Isso é inovação: design para os humanos e não para o mercado. Aprender com a natureza e utilizar esse conhecimento científico em soluções inovadoras em todas as disciplinas, é fundamental.”
Marko Brajovic, formado em Arquitetura e Urbanismo em Veneza, na Itália, faz parte do  conselho AskNature.org e é professor e diretor do Architectural Association Visiting School Amazon

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