País corre risco de apagão de patologistas

Apenas 0,8% dos médicos especialistas brasileiros possuem essa titulação

Guilherme Botacini
São Paulo

​A medicina de precisão fez aumentar a demanda por patologistas, que identificam a doença e apontam as causas do tumor. A perspectiva, no entanto, não é de crescimento desse contingente.

De acordo com o relatório “Demografia médica no Brasil”, feito pela Faculdade de Medicina da USP em 2018, apenas 0,5% dos recém-formados escolhem a especialização. 

“Há um desespero por mais patologistas. Precisamos formar os profissionais”, disse Katia Leite, professora da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia.

São 3.210 patologistas num universo de mais de 380 mil títulos de especialidades médicas no país, segundo dados do relatório. Isso corresponde a apenas 0,8% do total.

A invisibilidade da profissão tem a ver com baixa remuneração e pouca valorização, segundo a professora.

Um exame de tecido de colo de útero com células extraído por meio de biópsia, por exemplo, está precificado em R$ 24 pelo SUS.

Essa tabela também é a base para o pagamento de procedimentos feitos em planos de saúde. “Tem convênio que paga R$ 30, outros ainda dão desconto em cima da tabela. É menos do que se paga para fazer a unha”, comparou Leite.

Para ela, a solução só pode passar pela valorização da profissão e melhor remuneração. “Mesmo com a inteligência artificial, o trabalho do patologista é essencial. As nuances das doenças são muito grandes, e o ser humano ainda é fundamental no diagnóstico, não só no atendimento posterior ao paciente.”

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