Brasil é líder no uso de smartphone entre os emergentes, diz Pew Research

Pesquisa global mostra que adoção de celulares inteligentes cresce, mas com desigualdade

Paula Soprana
São Paulo

O Brasil lidera o uso de smartphones entre as economias emergentes. Um relatório divulgado nesta terça-feira (5) pelo Pew Research Center mostra que 60% dos adultos no país têm um smartphone, enquanto 33% têm um aparelho móvel não inteligente e 17% não têm acesso a qualquer tipo de tecnologia móvel

Dos países em desenvolvimento, o Brasil se iguala à África do Sul na adoção de smartphones, embora lá o número de cidadãos que não têm celular ou smartphone seja de apenas 6%.

Elaborada com entrevistas a 30.133 pessoas em 27 países, a pesquisa aponta para o crescimento rápido na adoção de tecnologias móveis, embora ele acompanhe diretamente o índice de desenvolvimento econômico de cada região. Desse modo, o uso de tecnologia no mundo é desigual.

Pessoas com smartphones na avenida Paulista; Brasil está entre os líderes na adoção de celulares inteligentes, mas 17% ainda não têm dispositivo móvel
Pessoas com smartphones na avenida Paulista; Brasil está entre os líderes na adoção de celulares inteligentes, mas 17% ainda não têm dispositivo móvel - Danilo Verpa/Folhapress

Enquanto uma média de 76% têm smartphones nos países ricos, o número cai para 45% nas economias em desenvolvimento. Nesses lugares, o uso está mais relacionado a pessoas jovens e escolarizadas.

Nos países desenvolvidos, o uso da internet chega a 90%, enquanto nos desenvolvidos ainda gira em torno de 60%. Na mesma comparação, o acesso às redes sociais é de 67% e de 49%.

Na maioria dos emergentes, a diferença entre adultos e idosos na adoção de smartphones cresceu nos últimos anos. No Brasil, o número de pessoas de 18 a 34 anos com smartphones foi de 61% em 2015 para 85% em 2018, enquanto entre adultos com mais 50 anos foi de 16% para 32%.

A diferença na adoção de smartphones pelo recorte de gênero permanece a mesma no Brasil nos últimos três anos. Em 2015, 38% das mulheres e 43% dos homens tinham smartphone; hoje, o percentual é de 57% e 63%, respectivamente.

Quem destoa desse padrão é a Índia, onde a diferença de gênero cresce. Em 2015, 16% dos homens usavam um celular inteligente, contra 7% das mulheres. O intervalo cresceu para 34% dos homens e 15% das mulheres, 19 pontos percentuais.

O relatório afirma que a educação e o nível de renda desempenham papéis consideráveis na adoção de tecnologia. 

“Em todos os pesquisados, as pessoas com maior nível de instrução e renda são mais propensas a usar a internet. O mesmo acontece com o uso de mídias sociais”, dizem os pesquisadores.

O acesso à internet também cresce em economias emergentes, com mais da metade da população conectada. No México e nas Filipinas, o número cresceu de 45% e 34%, em 2015, para 73% e 66%, em 2018.

As redes sociais ainda são um privilégio de países mais riscos. Apenas 49% dos adultos de países emergentes acessa redes como Facebook e Twitter.

O Brasil está acima da média, com 58%, mas perde para Filipinas (59%) e para o México (66%). 

Nas economias avançadas, a liderança fica com Israel (77%), seguido de Coreia do Sul (76%), Suécia (73%) e Holanda (72%).

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