Descrição de chapéu Obituário Célia Aparecida de Almeida Parreira (1955 - 2020)

Nos 25 anos do transplante de rim, Célia morre de Covid

Moradora da Mooca tinha resistido a doença no rim, câncer de pele, infarto e coágulo no cérebro

Andressa Motter
Santa Maria (RS)

Diagnosticada aos 38 anos com uma doença que reduz o fluxo de sangue e inflama o tecido de alguns órgãos, Célia Aparecida de Almeida Parreira soube que precisaria de um novo rim. O doador compatível apareceu sete meses depois, em 26 de abril, quando o transplante foi feito. Após exatos 25 anos, no mesmo dia, ela morreu de Covid-19.

Saúde sempre foi assunto central na vida de Célia. Além da baixa imunidade, os medicamentos contra a rejeição do órgão transplantado causaram câncer de pele em diversas regiões do corpo. Um infarto e um coágulo no cérebro se somaram ao quadro. “A mulher mais guerreira que já conheci. Nunca vi reclamar de dor”, afirma a filha Tatiane.

Mulher vestindo branco reza com os braços levantados e a palmas das mãos voltadas para cima.
Célia Aparecida, que costumava ir à igreja - Arquivo pessoal

Célia era casada com Luís Antônio Martins Parreira, seu companheiro por 49 anos e com quem teve três filhos: Rodrigo, Tatiane e Thiago. Conversava por telefone com todos eles antes de dormir. Luís diz que brincava com a esposa: “‘Não sei que tanto assunto vocês têm’, eu falava. Mas eu entendo, são coisas de mãe”.

Costumavam comemorar em família até as coisas mais simples, como a queda dos dentes dos netos. Também gostavam de viajar. Em 2014, passaram o Natal em um barco, indo para o Nordeste, entre 43 parentes e amigos próximos. “Ela era calma, feliz. Todo mundo gostava de estar perto”, comenta Luís.

Quando não estava trabalhando na gráfica da família, Célia tinha o hábito de passear pelas lojinhas de rua do bairro da Mooca, onde morava. Tinha até bolsa própria para as compras. Durante as férias na praia, ia todos os dias às mesmas lojas, ainda que para ver as mesmas coisas. “Era quase um ritual”, diz Tatiane, que acompanhava a mãe.

Célia trazia no nome a devoção por Nossa Senhora Aparecida. Tudo o que precisava pedia à Santa. Católica fervorosa, tinha o costume de ir à igreja e assistir às missas do padre Marcelo Rossi, pela televisão, nas manhãs de domingo.

Morreu aos 64 anos, em São Paulo, uma semana após testar positivo para Covid-19. A doença acometeu o sistema respiratório, já fragilizado por conta de uma pneumonia, e os medicamentos utilizados no tratamento fizeram os rins parar. “Ela bateu na trave várias vezes. Mas agora, infelizmente, aconteceu”, diz o marido.

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