Bairro boêmio rivaliza com o legado dos Beatles em Liverpool

Bares, lojas e mercado moderninho entretêm visitante que quer além das marcas deixadas pelo quarteto inglês

Fernanda Ezabella
Liverpool

A cidade de Liverpool está nos “ouvidos e olhos” de qualquer fã dos Beatles, como o refrão da música do quarteto, de 1967, que homenageia a rua Penny Lane. 

Atualmente uma das mais famosas do mundo, a via servia de ponto de encontro para os jovens John Lennon e Paul McCartney, que costumavam pegar o ônibus juntos.

Ainda é possível conhecer a loja do barbeiro mencionado na canção, a Tony Slavin (há outra barbearia na rua, a The Barbers, aberta em 2010).

Cheia de comércio, Penny Lane tem lugares que vendem “fish and chips”, peixe frito com batatas, como os Beatles cantam no verso “a four of fish and finger pies”, da mesma canção. Só cuidado para não pedir a “finger pie”, expressão de conotação sexual. 

A cidade inglesa de 500 mil habitantes, a 350 km de Londres, é marcada por diversos outros tesouros da era do quarteto fantástico (veja mapas abaixo).

Ainda estão lá as casas onde os quatro nasceram ou passaram boa parte da adolescência, os bares que frequentaram e até uma igreja, no mesmo terreno de um cemitério, onde Lennon e McCartney se conheceram, em 1957.

Quem chegar de avião já sai ganhando. O Liverpool John Lennon Airport conta com uma estátua do músico, fotos e várias frases impressas pelos salões, além de um gracioso submarino amarelo, estacionado na rua, que dá boas-vindas aos visitantes.

Ainda que atualmente os jovens a conheçam mais pelo time de futebol que leva o nome da cidade, Liverpool ganhou um bairro boêmio conhecido como Triângulo Báltico, repleto de bares e mercados moderninhos.

Se a Beatlemania acontecesse hoje, as jovens de minissaia e os rapazes cabeludos se encontrariam nessa região.

O centro do agito é o imponente prédio industrial de tijolos vermelhos da antiga cervejaria Cains, um complexo levantado no final do século 19, que tem uma dramática torre com chaminé.

Hoje batizado de Cains Brewery Village, o espaço agrupa lojas de itens vintage e bares, como o Peaky Blinders, que atrai filas nos finais de semana, e até um minigolfe psicodélico, o Ghetto Golf, cujas paredes são cobertas por desenhos ultracoloridos.

Fachada da Cains Brewery Village, que reúne lojas e bares, em Liverpool
Fachada da Cains Brewery Village, que reúne lojas e bares, em Liverpool - Fernanda Ezabella/Folhapress

Outro local popular é o Baltic Market, de comida de rua, logo ao lado da antiga cervejaria. O mercado, que funciona apenas de quinta a domingo, foi inaugurado em 2017.

Para a sobremesa, vale ir até a sorveteria Smash It, que serve a guloseima sobre uma maçaroca de algodão doce.

Como prova da chegada dos moderninhos ao bairro, o Triângulo Báltico já tem sua própria barbearia à moda antiga, a Swanky Malone Downtown (lavagem e corte saem por £ 20, cerca de R$ 100).

Para quem já cansou dos Beatles, a loja Sharky’s é especializada em camisetas de bandas de heavy metal, com destaque para aquelas que só os fanáticos conhecem. O dono até abre algumas exceções, para Elvis, por exemplo, mas não para o quarteto fantástico.

Museu explora histórias do passado escravista inglês

A rua Penny Lane esconde um passado nada festivo de Liverpool. Seu nome é homenagem a James Penny, um comerciante de escravos local contrário à abolição.

Ao defender seus negócios no Parlamento, Penny disse ter investido em mais de dez viagens à África, chegando a levar 500 escravos de uma única vez às Índias Ocidentais.

No século 18, Liverpool era a segunda maior cidade do império britânico, atrás de Londres, graças ao dinheiro oriundo da construção de navios e do próprio comércio negreiro, que representava 40% do tráfico de escravos no mundo e 80% do inglês.

Apenas no ano de 1799, mais de 80 navios saíram de Liverpool com destino à África, transportando, em seguida, mais de 45 mil escravos para as Américas, a maioria para ilhas do Caribe. 

As embarcações deixavam a cidade carregadas com algodão, armas, ferro e álcool para trocar por escravos, ouro e marfim. Também voltavam com açúcar, café e tabaco.

Todos esses dados são apresentados no Museu Internacional da Escravidão (liverpoolmuseums.org.uk/ism), que tem entrada gratuita.

Além dos números, histórias de navios e até alguns grilhões, o espaço exibe um pouco da cultura de países da África Ocidental, incluindo instrumentos musicais, máscaras e esculturas. A parte final da exposição trata da importância dos movimentos de direitos civis do século 20.

Mural do Museu Internacional da Escravidão, em Liverpool
Mural do Museu Internacional da Escravidão, em Liverpool - Divulgação

 

Siga os passos da banda em sua cidade natal

Mathew Street  

É praticamente a rua oficial dos Beatles na cidade. Além do Cavern Club (onde tocavam), a via abriga uma estátua de John Lennon, localizada em frente ao Cavern Pub, além de bares de fachadas coloridas com música ao vivo e uma grande loja de souvenires, a The Gallery 

The Cavern Club

O quarteto tocou no espaço 292 vezes, entre 1961 e 1962. O prédio original foi destruído em 1973, mas ainda há uma fachada que conta um pouco de sua história e uma estátua de Cilla Black, hostess histórica do clube. O bar reabriu sob nova direção, num espaço diferente, ainda na mesma rua, tentando recriar a aura dos anos 1960 (e de quebra enganando os fãs menos informados)

Pub White Star

Como o Cavern Club não vendia álcool, os músicos bebiam, antes dos shows, nos bares The Grapes, na Mathew street, e no White Star. Antes de fechar as portas, em junho deste ano, o Grapes seguia a linha pé-sujo. O White Star continua em funcionamento e ainda com interior original. O quarteto recebia seus pagamentos nesse último, numa sala nos fundos

Estátua de Eleanor Rigby  

Longe da agitação da Mathew street, descansa num banco, na Stanley Street, a estátua da misteriosa Eleanor Rigby, personagem que dá nome a uma canção dos Beatles em homenagem aos solitários mundo afora

Estátua do quarteto 

A região portuária da cidade mistura prédios vitorianos com o moderno Museu de Liverpool. Na região também fica o British Museum Experience, que trata das várias influências musicais britânicas. 
Ao final da Brunswick Street, as estátuas de John, Paul, George e Ringo, em tamanhos maiores do que os reais, esperam os fãs para fotos

Museu Beatles Story 

Também localizado na região portuária, tem espaços interativos para fotos, mas que parecem datar de sua abertura, em 1990. Há também uma recriação do Cavern Club, óculos usados por John Lennon, alguns instrumentos originais e muitos textos para ler, ainda que nenhuma polêmica do quarteto seja abordada neles. Uma exposição temporária trata da viagem da banda para a Índia. A entrada custa £ 17 (R$ 83)

 

Conheça os locais onde os músicos cresceram

Casa de John Lennon 

Dê uma espiada na sala onde o músico aprendeu a tocar guitarra e no quarto em que ele dormiu dos cinco aos 22 anos. A residência foi comprada por Yoko Ono, viúva dele, em 2002, para evitar sua demolição, e doada ao governo, que a restaurou
251 Menlove Avenue; ingresso custa 24 libras (R$ 117) e inclui visita à casa de McCartney

Casa de Paul McCartney 

Faça como os dois amigos e atravesse pelo meio do campo de golfe, atrás da casa de Lennon, para chegar ao lar dos McCartney, aberto a visitações. O baixista morou com seu irmão e seu pai nessa típica residência da classe operária. O lugar também foi palco dos primeiros ensaios dos Beatles e onde eles compuseram as canções “Please Please Me” e “I Call Your Name”
20 Forthlin Road; ingresso custa 24 libras (R$ 117) e inclui visita à casa de Lennon

Strawberry Field 

Uma curta caminhada, a partir da casa de Lennon, leva ao famoso portão de Strawberry Field, orfanato da Salvation Army que organizava festas frequentadas pelo jovem Lennon e sua tia Mimi. As memórias inspiraram a música homônima, de 1967
16 Beaconsfield Road

St Peter’s Church 

Lennon e McCartney se conheceram nessa igreja anglicana, em um show da banda Quarrymen, de Lennon. No cemitério da propriedade, fica o túmulo de Eleanor Rigby
26 Church Road

Casas de George Harrison 

Partindo da residência de McCartney, passe pela Penny Lane para chegar à casa geminada onde Harrison nasceu e morou na infância. O músico passou a adolescência e organizou alguns ensaios dos Beatles em outra casa, perto do aeroporto. Elas não estão abertas para visita
12 Arnold Grove (casa onde o músico nasceu); 25 Upton Green (onde ele viveu durante a adolescência)

Casas de Ringo Starr 

A residência onde Ringo nasceu fica num quarteirão de casas abandonadas. Já a casa onde ele morou por 20 anos está bem conservada, mas não é possível visitá-la. No caminho entre as duas, fica o bar The Empress (93 High Park Street), retratado na capa do seu primeiro disco solo, “Sentimental Journey”, lançado em 1970
9 Madryn Street (casa onde o músico nasceu); 10 Admiral Grove (onde viveu até 1963)

 

PACOTES

US$ 1.420 (R$ 5.325)
6 noites em Londres e Liverpool, na Maringá Lazer  
Hospedagem em quarto duplo, sem café. Não inclui passeios. Com aéreo e passagem de trem, para o trecho de Londres (quatro noites) a Liverpool (duas noites)

£ 1.235 (R$ 6.051) 
9 noites em Londres, na TZ Viagens
Hospedagem em quarto duplo, com meia pensão (três noites) e café da manhã (seis noites). Inclui city tour em Londres e visitas a outras cidades, incluindo Edimburgo, capital da Escócia. Não inclui passagem aérea. Com traslados do aeroporto ao hotel

US$ 1.912 (R$ 7.170)
6 noites em Londres e Liverpool, na Venice Turismo  
Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Três noites em Londres e três em Liverpool. Inclui city tour na capital britânica. Com passagem aérea e seguro-viagem

R$ 8.651
8 noites em Londres e Liverpool, na Flytour MMT
Hospedagem com café da manhã. Com visitas a outras cidades, incluindo Oxford e Cambridge, passeio panorâmico em Londres e entrada para o museu The Beatles Story. Com passagem aérea a partir do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e seguro-viagem. Para saídas às quartas, dos meses de abril a outubro do próximo ano

€ 2.298 (R$ 9.835)
5 noites em Londres e Liverpool, na Abreu 
Hospedagem com café. Três noites em Londres e duas em Liverpool. Com visitas aos estádios do Chelsea e do Liverpool e ao museu The Beatles Story. Com aéreo

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