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Roteiro sem luxo explora outro lado de Dubai

Parque com atrações radicais, deserto e até resort de esqui são alternativas para fugir das compras em shoppings

Dubai

A arquitetura futurista de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e sua fama de destino luxuoso acabam encobrindo outro lado: o da cidade que também emana cultura, atrações para toda a família e passeios que podem caber no bolso.

Tudo bem, não é barato viajar para lá —só a passagem custa, em média, R$ 5.000. Mas a localização de Dubai ajuda. “Estamos a seis ou sete horas de 80% dos países”, diz Janelle Lewis, gerente de comunicação do Departamento de Turismo e Marketing Comercial (DTCM) de Dubai. 

Ou seja, é relativamente fácil adicionar uma parada no local a uma viagem já planejada para a Europa ou para a Ásia. Não à toa, turistas indianos, chineses e europeus estão por toda a parte.

Para baixar custos, primeiro tire da cabeça a ideia de se hospedar no famoso sete estrelas Burj Al Arab, o prédio em formato de vela com diárias que custam a partir de US$ 1.500 (em torno de R$ 5.800). Ou mesmo em um edifício na Palm Jumeirah, ilha artificial em formato de palmeira com hotéis suntuosos e praias particulares. 

Os empreendimentos são incríveis, é fato —o Atlantis Hotel abriga restaurantes, aquário, lojas, três praias privativas e até um parque aquático ótimo para levar as crianças, o Aquaventure. Mas é mais viável encarar esses arranha-céus apenas por uma tarde, já que eles têm atrações abertas ao público.

Prefira hotéis menos badalados. Redes internacionais, como Ibis e Pullman, oferecem suítes mais simples, com diárias partindo de US$ 40 (cerca de R$ 155). 

Procure também ficar próximo ao metrô, opção certeira para se locomover na cidade. O transporte é moderno, limpo e atende bem a todos os pontos turísticos. Há vagões só para mulheres e carros de luxo, com poltronas mais espaçosas, pelos quais se paga um pouquinho a mais na passagem. O preço varia conforme a distância.

Os shoppings são uma atração turística de Dubai —a cidade tem quase cem centros comerciais, incluindo o famoso Dubai Mall, maior shopping do mundo, com 1.300 lojas. Mas a cidade tem outras opções para quem quer passar longe das compras.

Uma delas é o Ski Dubai, um dos maiores resorts de esqui indoor do mundo. São 22 mil metros quadrados repletos de gelo, onde adultos e crianças podem sair dos 40ºC para congelantes -4ºC. Dá para esquiar, andar de teleférico, tomar chocolate quente e praticar tirolesa. Os preços partem de 190 dirhams (R$ 200), para adultos, e chegam a 490 (R$ 516) no pacote que inclui refeição e visita aos pinguins (sim, há até pinguins).

O clássico passeio pelo deserto também merece entrar no roteiro. Jipes 4x4 levam os turistas para um rally nas dunas e proporcionam fotos com o pôr do sol ao fundo. Além disso, é no deserto que os turistas podem chegar perto —e andar— de camelo. Alguns pacotes incluem jantar árabe no acampamento beduíno, com apresentação de dança e shisha (narguilé), e custam a partir de US$ 45 (R$ 174).

Passeio de camelo no deserto de Dubai, nos Emirados Árabes
Passeio de camelo no deserto de Dubai, nos Emirados Árabes - Mariana Agunzi/Folhapress

Deixe ao menos uma tarde reservada para um dos poucos locais em que se entra com apenas 15 dirhams (o mesmo valor em reais) em Dubai: o Global Village, parque que mistura brinquedos radicais com 27 pavilhões que representam, cada um, um país. 

São blocos cheios de lojas e atrações (pagas à parte) de Europa, Ásia, África e américas do Norte e do Sul. Na ala dos restaurantes, pode-se provar pratos do Uzbequistão e da Bósnia. Muito frequentado por famílias locais, o Global Village recebeu 7 milhões de visitantes em 2018, e abre só na temporada de inverno.

Mas, se você é o tipo de turista que faz questão de ver umas lojinhas, não hesite em conhecer os souks. Esses mercados eram destino de comerciantes de todo o mundo, que chegavam pelo mar e descarregavam por lá suas mercadorias. Hoje, são espaços barulhentos, repletos de gente. A rua 25 de Março de Dubai.

O souk do ouro, com suas vitrines cheias de colares, é o mais famoso. Mas o “spice souk”, mercado de especiarias, é mágico e reserva uma enormidade de chás, ervas, frutas secas, temperos e cosméticos. 

Em ambos, a dica é a mesma: negocie. Um lenço de 120 dirhams (R$ 126) pode sair por 50; um pacote de temperos pode cair de 45 (R$ 47) para 20. E, mesmo que a intenção seja não comprar nada, é um passeio que vale por sua intensidade de cores, aromas e itens exóticos. 

A gastronomia local também merece destaque. Dubai tem restaurantes de todo tipo de culinária, com preços igualmente diferentes. 

Quem quer luxo pode jantar frutos do mar olhando peixinhos nadarem em aquários que fazem as vezes de paredes, no Ossiano (onde o menu-degustação com seis pratos custa 895 dirhams ou R$ 942), ou provar a culinária do chef japonês estrelado Nobu Matsuhisa em seu Nobu. 

Quem quer gastar menos —e ainda assim comer bem— pode experimentar a cozinha local, chamada emirati. O Centro para o Entendimento Cultural Sheikh Mohammed (SMCCU) é uma boa opção.
 
O local promove refeições culturais: o turista agenda café da manhã, almoço, jantar ou brunch (120 a 150 dirhams, quase equivalente em reais) e, de quebra, pode tirar suas dúvidas sobre o mundo árabe. 
Entre os pratos típicos, come-se a chabab, panqueca temperada com cardamomo e servida com melado de tâmara, e o balalit, macarrãozinho de arroz adocicado e acompanhado de omelete e açafrão.

Durante a comilança, os palestrantes contam algumas curiosidades de sua cultura. Não por acaso, o slogan do lugar é “Open Doors, Open Minds” (portas abertas, mentes abertas). 

A ideia é ficar à vontade para perguntar sobre tudo. Desde assuntos mais polêmicos, como as relações homoafetivas, que são proibidas na cultura islâmica, a questões básicas.

“Por que não vemos restaurantes de comida típica em todo lugar?”, indaga o turista americano. “Porque não vamos ao restaurante para comer o que comemos em casa, ora”, responde Fathayah, nossa anfitriã. Simples assim.

A jornalista viajou a convite do Departamento de Turismo e Marketing Comercial de Dubai

O QUE SABER ANTES DE EMBARCAR

  • A diferença de fuso horário de Dubai em relação ao Brasil é de sete horas
  • A moeda é o dirham (EAD), mas quase todos os lugares aceitam dólar. Fique atento à cotação
  • Viaje no inverno, entre novembro e abril, quando as temperaturas ficam entre 15ºC e 25. No verão, elas passam de 40ºC
  • Bebidas alcoólicas só são encontradas em hotéis e restaurantes internacionais —e custam caro
  • Dubai é bastante aberta aos costumes ocidentais, mas evite roupas decotadas ou curtas
  • Mulheres não precisam cobrir o rosto, exceto para entrar em mesquitas
Banca do “spice souk”, mercado de temperos de Dubai
Banca do “spice souk”, mercado de temperos de Dubai - Divulgação

PACOTES

US$ 584 (R$ 2.260). 4 noites em Dubai, na Schultz Operadora (schultz.com.br). Hospedagem em hotel cinco estrelas com quarto duplo e café da manhã. Inclui passeios. Sem aéreo

US$ 999 (R$ 3.866). A Emirates tem tarifas promocionais para voos a Dubai, a partir desse valor, com saídas de São Paulo e do Rio de Janeiro, de 4 a 13 de junho

US$ 1.000 (R$ 3.870). 7 noites em Dubai, na Abreu (abreutur.com.br). Saídas até dezembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios com guia em português ou espanhol. Sem aéreo

US$ 1.050 (R$ 4.063). 7 noites em Dubai e Abu Dhabi, na New Age Tour Operator (newage.tur.br). Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e seguro viagem. Sem aéreo

R$ 4.091. 5 noites em Dubai, na CVC (cvc.com.br). Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios com guia em português. Sem aéreo​

US$ 1.278 (R$ 4.946). 7 noites em Dubai e Abu Dhabi, na Maringá Turismo (maringalazer.com.br). Saída em 18 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, sem alimentação. Cinco noites em Dubai e duas em Abu Dhabi. Inclui passeios e seguro viagem. Sem aéreo

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