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Maria-fumaça leva visitante a vila ferroviária no interior de São Paulo

Locomotiva de 1927 faz trajeto de sete quilômetros em Guararema

Locomotiva a vapor
A locomotiva "velha senhora", que move o trem turístico de Guararema (SP) - Ana Luiza Tieghi/Folhapress
Ana Luiza Tieghi
São Paulo

O forte apito da maria-fumaça, na estação central de Guararema, a 79 quilômetros de São Paulo, avisa que o passeio de trem está para começar. 

A locomotiva de 1927, conhecida como "velha senhora", puxa quatro vagões cheios de passageiros até a vila de Luis Carlos, a sete quilômetros dali. São 180 pessoas que querem ter a experiência de andar de trem, rara no país.

Até o final dos anos 1950, a locomotiva fazia o trajeto entre Rio e São Paulo pela ferrovia Central do Brasil, conta a chefe de trem Fabiana Mucsi. 

Então, foi substituída por uma máquina a diesel. Décadas depois, o veículo foi restaurado pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), entidade que recupera trens antigos e gerencia rotas turísticas. 

Hoje, é a maior locomotiva em atividade no Brasil, de acordo com Fabiana.

No período de férias, o passeio sai lotado, com quatro vagões. Em dias de menor movimento, são usados apenas três, de madeira, feitos entre 1896 e 1937, diz a chefe de trem, que trabalha na linha desde 2015, quando a rota foi inaugurada. 

A locomotiva avança lentamente, com velocidade que vai de 7 a 18 km/h. Devagar, deixa a zona urbana de Guararema, passando por morros cobertos de pasto.

O trajeto é animado por uma dupla de músicos, com sanfona e triângulo, que bota os passageiros para cantar clássicos do forró e do sertanejo —do tipo raiz, não universitário. A cantoria não está incluída no ingresso: os músicos passam o chapéu ao final da apresentação. 

São cerca de 20 minutos de viagem até a estação de Luís Carlos, antiga vila ferroviária que foi restaurada em 2011 justamente para receber a maria-fumaça de Guararema e seus passageiros. 

A vila é formada por apenas duas ruas paralelas, com construções térreas pintadas em tons de azul, rosa, verde e amarelo. As portas saem diretamente na calçada.

Quase não há residências por ali: o visitante encontra restaurantes, sorveteria, loja de lembrancinhas, cervejaria, centro cultural e uma igreja, que fica de frente para uma pequena praça.

As ruas são de paralelepípedos e até os postes de luz, em estilo antigo, tentam evocar uma experiência de viagem ao passado, que lembra uma cidade cenográfica. 

O fato de a área da vila ser pequena é uma vantagem para o passageiro da maria-fumaça, porque o trem só demora uma hora até apitar de novo e voltar para Guararema. 

Não é tempo suficiente para fazer uma refeição, mas basta para tomar um cafezinho, um sorvete ou comer uma pipoca vendida em carrocinhas que parecem saídas de uma novela de época.

Se não der tempo de fazer um lanche na vila, o passageiro pode comprar bebidas, sacolés e biscoitos de polvilho no trem e comer por ali. 

Quem ouviu a dupla de músicos na ida não ouve na volta, porque eles se revezam entre os vagões. Dessa forma, só se ouve o som que o trem faz nos trilhos até a chegada na estação central. 

"Eu me lembrei das viagens de trem que fazia com a minha mãe, até emociona", diz a dona de casa Maria Lícia Garin, 60, que nasceu em Montevidéu, no Uruguai, e hoje mora em Mogi das Cruzes (SP). 

Ela estava acompanhada por sua filha, a professora universitária Mariane Belando, 37, e pelo neto de seis anos. 

"Foi a primeira vez que ele andou de trem, ele amou, mas queria que fosse um pouco mais rápido", diz Mariane. 

O passeio todo dura pouco menos de duas horas e custa R$ 65 por pessoa. Crianças de até cinco anos não pagam. 

Nos meses de férias e em feriados, é indicado comprar o bilhete pela internet com antecedência, pelo site tremdeguararema.com.br, e retirá-lo na bilheteria da estação. 

Também há venda de ingressos no local, mas, caso os vagões estejam cheios, quem for comprar na hora corre o risco de ter que deixar o nome em uma lista de espera. 

O valor arrecadado com as passagens vai para a ABPF, que arca com os custos do trem e do uso da linha, operada pela concessionária MRS. 

A "velha senhora" parte aos finais de semana e feriados, às 10h e 14h30.

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