Príncipe Harry se une a empresas para lançar marca de turismo sustentável

Duque de Sussex lança a Travalyst, aliança para estimular práticas responsáveis de turistas e companhias

Pedro Diniz
Amsterdã

Após receber críticas por usar aviões privados em viagens de férias ao mesmo tempo em que propõe  um discurso ambientalista, o príncipe Harry acaba de virar porta-voz de uma iniciativa global de gigantes do turismo, como o site de reservas Booking.com, o de dicas TripAdvisor, o buscador de passagens SkyScanner e a bandeira de cartões Visa, para desenvolver o turismo sustentável.

Ao lado dos líderes e CEOs das empresas, o duque de Sussex lançou nesta terça-feira (3), em Amsterdã, na Holanda, o selo Travalyst, uma espécie de aliança para estimular práticas responsáveis de turistas e empresas para desenvolver e preservar comunidades locais ao redor do mundo.

Príncipe Harry no discurso do evento em Amsterdã
Príncipe Harry no discurso do evento em Amsterdã - Koen van Weel/AFP

Trata-se do primeiro projeto da Sussex Royal, a fundação criada por Harry e sua mulher, Meghan Markle, após a saída do casal, na semana passada, da The Royal Foundation. A fundação de projetos sociais da realeza britânica hoje é representada apenas pelo príncipe William e por Kate Middleton, respectivamente duque e duquesa de Cambridge.

Além do apoio aos pequenos negócios dos destinos turísticos, o que a gerente global de vendas da Visa Suzan Kereere, definiu como "transformar pequenos negócios em grandes empresas" a ideia é estimular a proteção do meio-ambiente, combater as mudanças climáticas e mitigar danos ambientais com a redução do excesso de turistas.

"Não podemos parar o fluxo de turistas pelo mundo, mas podemos torná-lo sustentável. Viajo desde cedo pelo mundo representando minha vó [a rainha Elizabeth, do Reino Unido], e vejo o impacto que o turismo tem em lugares como o bioma da Tailândia [...] Ou na Austrália, onde a barreira de corais está sendo destruída", disse Harry no encontro com jornalistas.

Entre os parcos exemplos citados pelos líderes das empresas estão engenharia de busca para mitigar o impacto ambiental da viagem e indicações de produtores locais para o turista conhecer.

Segundo a Organização Mundial do Turismo, 1,8 bilhão de viagens serão feitas anualmente até  2030, o dobro do número registrado em 2010. De acordo com uma pesquisa da Booking, 72% dos viajantes acreditam que as empresas deveriam oferecer opções de viagens sustentáveis, e 68% deles gostariam de que o dinheiro gasto na viagem incentive comunidades locais.

As ações do selo Travalyst serão criadas pelas empresas em parceiras com governos, ONGs e empreendores individuais.

Os jornalistas não puderam fazer perguntas ao príncipe, mas, indiretamente, ele fez uma mea culpa sobre o impacto ambiental de suas viagens em jatos executivos.

"Às vezes nos sentimos sobrecarregados com essa responsabilidade [de cuidar do meio ambiente], mas não podemos nos eximir da responsabilidade de fazer alguma coisa."

Nos minutos finais da apresentação, o príncipe disse que viajou a Amsterdã em um avião comercial. "Desde sempre viajo assim, mas às vezes não é possível".

O jornalista viajou a convite da Booking

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