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Brasileiro suspenso por manipular partidas ainda espera voltar a jogar
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RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO
José Joelson Inácio, 29, reage sem nenhum espanto à descoberta de uma rede de manipulação de resultados espalhada por quatro dos cinco continentes da Terra e divulgada nesta segunda-feira pela polícia europeia.
"É assim mesmo. Eles estão em todos os lugares. Na Inglaterra, apostam até em corrida de formiga. Mas isso é uma bomba", afirma.
| Maurizio Lagana - 24.jul.09/Getty Images |
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| Joelson quando ainda defendia o Reggina, da Itália |
O brasileiro sabe bem como funciona o esquema que preocupa o mundo do futebol. É por ter se envolvido nele que o atacante só poderá voltar a jogar profissionalmente a partir de fevereiro de 2015.
Joelson cumpre desde setembro dois anos e meio de suspensão dada pela Justiça esportiva italiana por ter participado da máfia de fabricação de placares no Calcio.
O jogador, que atuava nas divisões inferiores, é réu confesso em dois casos no começo de 2010, quando defendia o Grossetto, na Série B.
Ele admitiu ter tentando comprar o goleiro da Ancona para perder de propósito e, por uma bolsa de € 20 mil (R$ 53,8 mil), inferior a seu salário, ter encomendado uma derrota do time que defendia para a Reggina, então dona dos seus direitos federativos.
Agora, impossibilitado de jogar e de volta a Bérgamo, norte da Itália, depois de passar férias em Minas Gerais, sua terra natal, pensa na reconstrução da sua vida.
O atacante estuda proposta de empresários para trabalhar como um tipo de "faz tudo" de jogadores brasileiros recém-chegados ao país.
Suas tarefas iriam de atuar como intérprete dos atletas nos clubes, ajudá-los a se adaptar a uma nova cultura e até dar conselhos sobre o ambiente do futebol na Itália, onde vive desde os 13 anos.
"Para um jogador, a coisa mais fácil é colaborar com algum empresário. Mas não sei ainda se quero isso. Tenho esperança que reduzam minha pena. Quero voltar a jogar."
Enquanto espera um possível novo julgamento e não mergulha em uma nova carreira, Joelson vive das economias que fez durante a carreira e do salário de sua mulher.
"É pouco, mas dá para pagar a escola dos filhos."
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