Garibaldi ironiza críticas da oposição de que governo utiliza cargos em troca de apoio
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ironizou nesta quarta-feira as críticas da oposição de que o governo estaria utilizando a nomeação de cargos em troca de apoio no Congresso Nacional, como a indicação do senador peemedebista Edison Lobão (MA), cotado para o Ministério de Minas e Energia.
"Não é nada demais indicar para ministério. Como pode, os partidos fazem parte da base e o governo não se sente animado a dar àqueles [partidos] a possibilidade de representantes seus integrarem determinados ministérios?", questionou. "Estou sendo tentado a dizer uma coisa que pode parecer pedante: isso é elementar."
Lobão é o nome indicado pelo PMDB para substituir o ex-ministro Silas Rondeau --que deixou o ministério no final de maio por suposto envolvimento em irregularidades, de acordo com investigações da Operação Navalha, da Polícia Federal. Desde então, o ministério é comandado interinamente por Nelson Hubner.
Ainda esta semana, o comando PMDB espera ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o pedido pela nomeação de Lobão --que é indicado politicamente pelo senador José Sarney (PMDB-AP).
Reportagem de hoje da Folha informa que Lobão é alvo de investigação da Procuradoria Geral da República por suspeita de ter ordenado desmatamento em área de preservação ambiental em Brasília.
Segundo a reportagem, o caso foi encaminhado à Polícia Federal e a tramitação ocorre no STF (Supremo Tribunal Federal). O senador nega ter ordenado o desmatamento de sua propriedade.
Maldade
Garibaldi também reclamou das críticas de que estaria colaborando para ajudar o governo. Ontem, ele decidiu não convocar a comissão representativa --formada por deputados e senadores--, que era uma reivindicação da oposição.
"Não é maldade [a crítica de que ele estaria aqui ajudando o governo]. Pode ser que [os oposicionistas] estejam cometendo uma injustiça por deficiência de informação ou até por falta de informação ou até mesmo por um cacoete", disse Garibaldi.
Sem mudar o tom de voz, ele reiterou as queixas por se considerar vítima de injustiça em meio às críticas, mas não citou nomes nem partidos. "E depois dizer que eu estou beneficiando o governo, sinceramente, vocês me perdoem, mas estou sendo injustiçado", afirmou.
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