Tarso diz que denúncia da Operação Navalha não comprova nada
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta terça-feira que a decisão do Ministério Público Federal de oferecer denúncia ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra 61 acusados de envolvimento com a máfia das obras não comprova nada.
Segundo Tarso, o ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), os governadores Teotônio Vilela (PSDB-AL) e Jackson Lago (PDT-MA), e os ex-governadores João Alves Filho (DEM-SE) e José Reynaldo Tavares (PSB-MA) terão oportunidade para se defenderem.
"[Oferecer denúncia] não comprova nada. A denúncia é a instalação do processo penal. Agora o ministro vai se defender e todos eles vão ter oportunidade de demonstrar sua inocência", afirmou.
Para o ministro, a iniciativa do Ministério Público foi "correta" e "normal". "É normal, é o andamento devido do processo legal, demonstra, inclusive, que o trabalho da Polícia Federal é um trabalho tecnicamente correto. Cabe ao Ministério Público conduzir a prova no sentido da condenação ou absolvição dos envolvidos", afirmou.
O Ministério Público Federal ofereceu denúncia ao STJ os 61 acusados de envolvimento com a máfia das obras, desbaratada na Operação Navalha, em 2007, pela Polícia Federal.
Os acusados foram denunciados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, fraudes em licitações e crimes contra o sistema financeiro.
Pelas investigações, o esquema atuava no Distrito Federal e em nove Estados --Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo-- com desdobramentos nas esferas federal, estadual e municipal.
De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).
Para obter vantagens em licitações para obras públicas, a empresa Gautama pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas. O dono da empresa, Zuleido Veras, também denunciado pelo Ministério Público, é apontado como o responsável por liderar o esquema de pagamento de propinas para autoridades públicas.
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