Garibaldi admite que Senado agiu de forma equivocada para manter parentes
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu nesta quarta-feira que a Mesa Diretora da Casa agiu de forma "equivocada" ao aprovar brecha para a manutenção de parentes contratados no Legislativo antes da posse dos parlamentares.
Depois de exonerar o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, responsável por orientar a Mesa em favor da "brecha", Garibaldi disse acreditar que ele não tenha agido de má fé.
"O meu entendimento é que ele não agiu de má fé, mas ele não interpretou o pensamento do STF [Supremo Tribunal Federal] sobre a súmula que proíbe o nepotismo. Eu esperava que fizesse normas para facilitar o cumprimento da súmula do STF", afirmou.
Garibaldi reiterou o prazo de 72 horas para a comissão do Senado responsável por analisar os casos de nepotismo indiquem as exonerações que precisam ser realizadas na Casa. "Se formos contabilizar, esses casos se estendem a muito mais de 72 horas", disse.
O senador decidiu exonerar o advogado e criar a comissão depois que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, condenou a brecha encontrada pelos parlamentares para manter o emprego de familiares de senadores e de servidores com cargos de chefia na Casa. Fernando decidiu encaminhar reclamação ao STF contra o Senado, o que provocou a reação de Garibaldi.
A Mesa Diretora aprovou resolução, elaborada pelo ex-advogado-geral do Senado, que garantia o emprego dos parentes contratados antes da posse dos senadores ou dos servidores que ocupam diretorias e chefias.
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