Dirceu defende decisão do governo de conceder refúgio a italiano condenado por terrorismo
da Folha Online
Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) defende a decisão do Brasil de conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por terrorismo. Ex-militante comunista do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), Battisti foi preso no Rio em março de 2007.
"Precisa ser apoiada e sustentada perante a opinião pública brasileira e internacional a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de dar asilo político ao escritor Cesare Battisti", diz ele no post publicado hoje no blog.
Para Dirceu, o Brasil apenas cumpriu a lei. "Em nosso país, como sabemos, é proibido pela Constituição a extradição de refugiado estrangeiro por crime político ou de opinião. Antes do de Battisti, o Supremo Tribunal Federal já negou três importantes pedidos de extradição à Itália contra os ex-ativistas de extrema esquerda Achille Lollo, Luciano Pessina e Pietro Mancini."
Dirceu diz ainda que as críticas à decisão reforçam a tese de crime político. "A própria reação dos senadores da oposição brasileira, na medida em que utilizam argumentação totalmente política para condenar a negativa de extradição --e mais a do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN)-- reforçam a tese de crime político nessa história relacionada a Battisti.
Para Garibaldi, a decisão foi precipitada. "Me parece uma atitude precipitada, uma vez que havia pareceres contrários. É também arriscada levando-se em consideração as possíveis consequências."
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse hoje que está tranquilo em relação à decisão tomada. Segundo ele, não houve influência política em sua decisão, que foi tomada de acordo com preceitos jurídicos e sem considerar um possível mal-estar diplomático entre Brasil e Itália.
"Estou tranquilo de que tivemos a decisão correta, sem entrar no mérito do direito que tem o Estado italiano, e da fineza e da propriedade de considerar o Estado italiano um Estado democrático", afirmou o ministro.
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A situação de Battisti referida ao marco institucional brasileiro está mudando. Até o que éramos mais céticos achamos que será quase impossível ao cónclave das eminências togas declarar a inconstitucionalidade do refúgio, e caso o fizer, não poderá certamente exigir que o presidente assine a ordem de extradição (salvo que o presidente queira o fazer por própria vontade).
Há uma razão técnica sumamente simples. O judiciário pode escolher a jurisprudência que satisfaz a seu caso e, neste, os ministros tinham ameaçado usar a jurisprudência que prejudica Battisti. Afinal, o judiciário, mesmo em ´lugares civilizados, é subjetiva, arbitrária, discriminatória e geralmente xenófoba.
Mas, o STF não pode, mesmo com o presidente que atualmente possui, fazer algo tão notoriamente ilegal como MODIFICAR AS ATRIBUIÇÕES DO PODER EXECUTIVO. Isso só pode ser feito por emenda constitucional.
Por que os ares mudaram? Houve várias coisas, não apenas uma. O brilhantismo e inteligência do atual defensor, o prestígio da maior parte dos que defendem Battisti, como Danielle Mitterand, comparados com as figuras obscuras e sórdidas que o odeiam, a nova "virada" do PG, a necessidade de resolver outros casos de extradição que favorecem a torturadores e genocidas.
Mas, há talvez uma causa privilegiada. A necessidade de tirar de foco a imagem do presidente do STF, a quem o ministro Barbosa colocou em seu lugar. Entretanto, nunca se sabe! Ainda, podemos ter surpresas.
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Mas ele teve medo de matar 4?????
e nosso"ministro" da justiça!!!!!!!! ainda acha que tá certo! Eu, heim! Se toca Genro, joão sem braço não rola.
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Cabe também salientar a coragem deste jurista. Coragem?, vocês podem pensar. Por que é coragem dizer a verdade numa democracia???
Bom, nosso país é uma democracia do ponto de vista jurídico, mas as castas jurídicas não são organismos burocráticas; seus membros são eleitos por escolhas dos presidentes, e confirmadas por obscuras e tortuosas negociações no senado.
Todo homem que se opõe a uma máfia é corajoso, e o jurista Silva merece todos os elógios. Teoricamente, a lei nos autoriza a dar nossas opiniões. Mas muitos pagam duramente quando essas opiniões atentam contra os interesses de grupos, panelas, sociedades secretas, e assim em diante. Creio que isto deve servir de suporte ao heróico gesto de Genro, e reforçar a decisão de Lula, que parece ter estado ausente deste assunto, pelo menos publicamente. Seja companheiro, presidente, ex-operário ou em qualquer outra circunstância, LULA TEM UM ÚNICO CAMINHO; IMEDIATO INDULTO E LIBERAÇÃO A BATTISTI
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