Varejo já tem falta de eletrodomésticos
AGNALDO BRITO
da Folha de S.Paulo
NATÁLIA PAIVA
PAULO DE ARAÚJO
colaboração para a Folha de S.Paulo
Com o aquecimento na demanda por produtos da chamada linha branca (geladeira, fogões, máquinas de lavar, entre outros) por conta da redução do IPI, em meados de abril, algumas redes varejistas já se queixam de falta de itens.
"Está difícil [manter o estoque]. Começaram a faltar geladeira e principalmente máquina de lavar nessas últimas semanas. A indústria está aumentando sua produção, mas a gente não tem negociação de preço", disse Luiza Trajano, presidente da Magazine Luiza.
Segundo ela, o corte no IPI representou aumento nas vendas entre 20% e 25% na rede.
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Também o Wal-Mart, terceira maior rede varejista, admite ter percebido maior dificuldade em receber os produtos após um crescimento de 30% nas vendas com a concessão do benefício. Mas ressalta, em nota, que tem conseguido atender a demanda dos clientes.
"O que houve foi um superaquecimento na demanda em prazo muito curto, o que não era esperado", disse Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Para ele, a situação se normalizará em breve.
Problemas com estoques se estendem para outras redes, como a Lojas Cem e a Lojas Colombo, que também afirmaram que enfrentam falta de alguns produtos como lavadoras e refrigeradores.
Segundo o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Lourival Kiçula, porém, não há um desabastecimento mais generalizado. "Pode faltar um ou outro item em algumas lojas, mas a indústria está trabalhando para atender a demanda."
Ele afirmou que os fabricantes voltaram a contratar, e a produção aumentou 20% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado.
"Esperamos que o benefício [da redução do IPI] possa ser estendido", afirmou.
Construção
Também beneficiados pela redução do IPI, a indústria e o varejo de material de construção pedirão hoje ao governo, durante a reunião do GAC (Grupo de Acompanhamento da Crise), a prorrogação do incentivo. Segundo Cláudio Conz, integrante do GAC e presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), o setor começa a receber neste momento os primeiros pedidos relacionados ao programa Minha Casa, Minha Vida, projeto de estímulo à construção de habitações populares. O governo prevê a construção de até 1 milhão de moradias.
"Não faz sentido, justamente agora, os incentivos serem suspensos. Creio que isso será considerado e haverá a prorrogação", afirma Conz.
De acordo com ele, as vendas se recuperaram 15% em maio, em parte por causa das medidas de desoneração.
Para o presidente do sindicato do comércio varejista de material de construção da Grande São Paulo, Reinaldo Pedro Correa, não "houve crescimento [da demanda] acima de expectativas". Mas, para ele, a manutenção do IPI reduzido é fundamental para assegurar o atual patamar de venda.
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