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30/08/2012 - 03h17

Fábio Assunção faz sua estreia na direção teatral

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GABRIELA MELLÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A escola de interpretação de Fábio Assunção foi a televisão. Aos 19, trocou o teatro amador pela Rede Globo, projetando-se como um dos grandes atores da emissora.

Hoje, aos 41, depois de uma bem recebida temporada sobre os palcos com "Adultérios", ele passa à coxia e estreia na direção teatral com "O Expresso do Pôr do Sol".

Para montar o texto do autor norte-americano Cormac McCarthy (de "Onde os Velhos Não Têm Vez"), Assunção cercou-se de um time de artistas desconhecidos do público das telinhas --mas de grande reputação no teatro.

Buscou em Cacá Amaral e Guilherme Sant'Anna, atores com extenso currículo nos palcos, os protagonistas.

Divulgação
Fábio Assunção dirige o ator Cacá Amaral em ensaio de "O Expresso do Pôr do Sol"
Fábio Assunção dirige o ator Cacá Amaral em ensaio de "O Expresso do Pôr do Sol"

Entregou a iluminação a um dos mais talentosos profissionais da cena brasileira, Caetano Vilela (com quem trabalhara em "Adultérios"), e valeu-se do renomado Fábio Namatame para conceber o cenário e o figurino.

Por fim, convocou Maria Adelaide Amaral, nome que faz a ponte entre televisão e teatro, para elaborar a dramaturgia de sua versão do embate filosófico, religioso e moral entre Black (Sant'Anna) e White (Amaral).

White é um professor ateu que não vê sentido na vida e tenta se matar jogando-se na linha de trem. É impedido pelo ex-presidiário Black, evangélico fervoroso que procura convencê-lo a mudar de ideia.

O resultado dessa reunião de esforços, que o público confere a partir de amanhã no Tuca Arena, em São Paulo, rejeita a linguagem realista que vige nas novelas e que baliza o teatro comercial.

A opção pelo risco é ressaltada por Vilela --que é também diretor, à frente da companhia Ópera Seca, de Gerald Thomas. "Fábio poderia ter optado por uma encenação palatável. Não foi o caso".

O novo encenador, porém, afirma que tampouco quis "criar teatro experimental". "Eu me preocupei apenas em fazer aquilo de que gosto e em que acredito. Quero oferecer o melhor ao público", resume Assunção à Folha.

De cunho originalmente realista, o texto chegou a ser adaptado para a TV americana, com Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones no elenco.

Assunção expôs a Maria Adelaide Amaral sua opção por cortar da história as referência da linguagem cotidiana. "Achamos que a discussão ficaria maior se saísse do plano do real", diz ele.

E, se na TV Assunção está habituado a um mundo cindido entre mocinhos e vilões, no teatro quis embaralhar as fronteiras entre bem e mal, servindo-se da iluminação para limar o maniqueísmo.

"Encontrei na montagem um embate precioso entre luz e sombra, elementos que representam aquilo que mostramos e escondemos, nossos deuses e fantasmas", diz.

Na leitura de Assunção, tanto White como Black foram amortecidos pela vida.

"O sol de White já se pôs. As coisas nas quais ele acreditava não existem mais. Por outro lado, ele está mais vivo do que Black, pois se dá à liberdade de escolher", diz.

O EXPRESSO DO PÔR DO SOL
QUANDO sex. e sáb., às 21h; dom., às 19h30; até 30/11
ONDE Tuca Arena (r. Monte Alegre, 1.024; tel. 0/xx/11/3670-8455)
QUANTO de R$ 20 a R$ 50
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

 

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