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Para diretora de museu, furto a Portinari foi trabalho de profissional
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FÁBIO GUIBU
DE RECIFE
A diretora do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, de onde foi furtado nesta quarta-feira (14) um quadro do pintor Cândido Portinari (1903-1962) avaliado em R$ 1,2 milhão, acredita que o serviço foi efetuado por profissionais.
| Divulgação |
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| A obra "Enterro", de Cândido Portinari, que foi furtada do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda |
"Para mim, foi trabalho de profissional", disse a diretora Célia Labanca, referindo-se ao furto. "Ele [o ladrão] retirou o quadro de uma sala, levou para outra, desmontou a peça e grudou a moldura atrás de um tapume sem ninguém perceber."
Peritos da Polícia Civil, que investiga o caso, estiveram nesta quinta-feira (15) no museu, que fica no centro histórico de Olinda (região metropolitana de Recife), em busca de vestígios e impressões digitais.
A Polícia Federal e a Interpol também foram comunicadas sobre a ocorrência.
A Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), que administra o museu, informou que o local é vigiado 24 horas por dia e que monitores acompanham os visitantes. Mas não há câmeras nem sensores de presença.
O Estado diz que vai investir R$ 2 milhões por ano na segurança de 23 museus e espaços culturais. Até o fim do ano, afirma, serão contratados 40 vigilantes armados e instaladas 210 câmeras.
Tela
Chamada "Enterro", a obra furtada --um óleo sobre madeira medindo 24,5 x 33,5 cm-- estava exposta em uma sala sem vigilância eletrônica com outras cinco do artista, que não foram levadas.
O local é de responsabilidade do governo do Estado. Lá trabalham só quatro seguranças, divididos em turnos.
Segundo a diretora do museu, o desaparecimento da obra só foi percebido no início da noite.
Seguranças se preparavam para fechar o prédio --uma construção do século 18, com grades de ferro no lugar das janelas. Ao colocarem tapumes de madeira nos vãos das grades, como fazem sempre, viram uma moldura sem o quadro cair no chão.
A peça estava escondida atrás de uma das tábuas, presa com uma fita adesiva vermelha. Foi constatado então que ela fazia parte do "Enterro", exposto até o dia anterior em outra sala.
Pintada em 1959, a obra faz parte da fase conhecida como "série azul" de Portinari. A pintura integrava a coleção do jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968) e havia sido doada para compor o acervo que deu origem ao museu, em 1966.
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