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Academia islâmica quer que papa se desculpe por Cruzadas
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DA ANSA, NA CIDADE DO VATICANO
A maior instituição sunita do mundo condicionou nesta segunda-feira a retomada das relações entre o Vaticano e o mundo islâmico a um possível pedido de desculpas do papa Bento 16 pelas Cruzadas ou a uma condenação da ocupação israelense dos territórios palestinos.
A declaração foi dada por Muhammad Rifaa Al Tahtawi , ex-porta-voz da Academia de Investigação Islâmica de Al Azhar, com sede no Cairo, durante o evento "Agenda da convivência: cristãos e muçulmanos por um futuro juntos", promovido em Roma pela Comunidade de Santo Egídio.
Ele disse que está confiante sobre a retomada do diálogo, que foi congelado pela academia sunita no último 20 de janeiro, após o papa denunciar que os cristãos são perseguidos no Oriente Médio. Para a instituição islâmica, o pontífice teria atribuído aos muçulmanos a responsabilidade pela opressão da comunidade cristã na região.
Tahtawi, que alegou ter deixado o cargo para se unir à revolta do povo egípcio, afirmou que "não é aceitável" que o líder máximo da Igreja Católica diga que "não insultou [os muçulmanos e que] apenas falou" o que diria "para qualquer outro grupo religioso sobre a falta de liberdade religiosa".
Para o ex-porta-voz, "isso não é uma desculpa", e seria necessário que o papa "apresentasse agora as desculpas pelas Cruzadas", ou que "condenasse o que Israel está fazendo na Palestina".
Ele ainda observou que "a decisão de congelar o diálogo com o Vaticano, mesmo que nem todos no governo estivessem de acordo, foi muito popular".
"Isso não significa que não se queria um diálogo, mas que se quer um diálogo fecundo, e não de fachada, e baseado no mútuo respeito", completou.
"Nós queremos que o papa faça um gesto que dê a entender aos muçulmanos que ele lhes tem como seres humanos, assim como tem a todos os outros. Um sinal de respeito seria falar do Islã como uma região de paz, como uma das principais regiões no mundo que toma uma posição sobre as práticas israelenses, assim como sobre Jerusalém", defendeu o ex-porta-voz, acrescentando que "o mundo islâmico, em geral, sente por não ser respeitado e tratado igual".
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