'Elon Musk do mar', explorador americano vai ao ponto mais profundo do Atlântico

Victor Vescovo quer abrir as portas para uma nova geração de exploradores oceânicos

Vancouver

Mais pessoas já visitaram o espaço do que os pontos mais profundos de nossos oceanos. Mas o explorador americano Victor Vescovo quer mudar isso com seu submarino de US$ 50 milhões (cerca de R$ 195 milhões), com o qual foi o primeiro a atingir o ponto mais profundo do Atlântico, em dezembro.

Em fevereiro, ele também foi o primeiro a atingir o fundo do oceano sul da Antártica e, três semanas atrás, desceu até as profundezas do oceano Índico, a mais de 7 mil metros. Pelo caminho, cruzou com criaturas que acredita nunca antes terem sido vistas pelo homem.

“É como uma SpaceX da exploração oceânica, com a diferença que eu piloto meus próprios veículos”, brincou Vescovo, numa palestra do TED na quarta (17), em Vancouver. Ele ainda provocou o cofundador da empresa de foguetes, Elon Musk: “Elon, se você estiver ouvindo, posso te dar uma carona no meu veículo se você me der uma carona no seu.”

Antes de explorar oceanos, o investidor texano e veterano da Marinha já havia escalado as sete montanhas mais altas do mundo. Agora ele quer abrir as portas para uma nova geração de exploradores oceânicos. Suas expedições, que chegam a durar entre oito e nove horas, fazem parte do projeto Five Deeps Expedition, que ele pretende completar até setembro. 

Durante o TED, Vescovo mostrou uma fotografia tirada por uma das sondas da embarcação de uma possível nova espécie de água-viva e também de um peixe raro (veja na galeria acima).

“A cada expedição que fazemos, encontramos três ou quatro novas espécies porque esses lugares ficaram isolados por bilhões de anos”, disse.

Sua pequena embarcação de titânio tem como objetivo realizar expedições do gênero repetidas vezes, uma grande diferença em submersíveis usados em atividades similares no passado. Tem capacidade para apenas duas pessoas e oxigênio para até quatro dias. “Mas se eu estiver por lá por quatro dias, provavelmente algo deu muito errado”, disse.

Ele explicou que a pressão sentida pela embarcação é similar à de ter três porta-aviões em cima de cada polegada quadrada do espaço. “Titânio é um metal difícil de se trabalhar e muitos não conseguiram descobrir como fazer. Mas tivemos sorte e tenho trabalhado com uma equipe maravilhosa que conseguiu fazer uma esfera quase perfeita. Porque quando você submete algo a pressão, esfera é a geometria mais forte que pode existir. Então me sinto muito seguro quando estou lá.”

Nos últimos 15 anos, empresas privadas e exploradores milionários lideraram o desenvolvimento de diversos submersíveis para atingir as profundezas dos oceanos, da mesma forma como floresceu o setor espacial no mesmo período.

“Estamos indo na outra direção”, disse Vescovo, lembrando que os oceanos correspondem a 70% do nosso planeta, mas apenas 5% deles foram explorados pelo homem. 

Erramos: o texto foi alterado

Uma versão anterior deste texto dizia que o explorador Victor Vescovo desceu a uma profundidade de 7 mil km no oceano Índico. O correto são 7 mil metros. O texto já foi corrigido.  

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