Baleia jubarte morre em Salvador após seis horas encalhada

Mamífero foi achado na orla do bairro de Coutos, na periferia da capital baiana; foi a 38ª morta no país

Franco Adailton
Salvador

Após passar seis horas encalhada na orla do bairro de Coutos, subúrbio de Salvador, morreu na manhã desta sexta-feira (30) a 11ª baleia jubarte na costa da Bahia desde o início da temporada de reprodução do mamífero, que vai de julho a novembro. Foi a 38ª morta este ano no país, segundo o PBJ (Projeto Baleia Jubarte).

Com cerca de 15 metros, além de quase 40 toneladas, segundo informações de biólogos do PBJ, o animal foi o segundo a morrer na região do subúrbio de Salvador em um período de 24 horas.

Na tarde desta quinta, um filhote de jubarte já havia sido encontrado morto por pescadores na praia de Plataforma, distante 8 km de Coutos, mas ainda não foi possível avaliar as medidas do animal pelo fato de o cadáver estar na água.

Segundo a bióloga Luena Fernandes, a equipe foi acionada pela população por volta das 6h desta sexta, enquanto se dirigia à base do projeto –localizada em Praia do Forte, a cerca de 80km de Salvador– para o local da primeira morte.

Enquanto aguardavam a chegada dos biólogos, banhistas tentaram manter o animal vivo, jogando água sobre o mamífero, que apresentava lesões por todo o corpo, mas a jubarte não resistiu e morreu por volta das 9h.

“Quando chegamos, por volta das 7h30, encontramos o animal bastante debilitado, cansado, com ferimentos pelo corpo, acredito que por causa das tentativas de voltar ao mar se arrastando sobre as pedras”, lamentou Fernandes.

De acordo com o biólogo Sérgio Cipolloti, é difícil identificar, de imediato, o que levou o animal a encalhar, sem antes fazer com que as amostras do cadáver passem por uma criteriosa análise laboratorial.

“São várias as possibilidades. É difícil dizer se estava desorientado, debilitado, velho ou doente. Pode ter sido morte natural também”, afirma o biólogo. “Para termos certeza, somente com uma análise em laboratório”, completa.

O especialista explica que as chances de resgatar um animal deste porte, com vida, são muito remotas. “Geralmente, os locais de encalhe não favorecem a aproximação de equipamentos de resgate, sobretudo na maré seca, como foi o caso”.

Já Luena Fernandes diz que a frequência de mortes durante a temporada reprodutiva decorre também do aumento populacional das jubarte. Em 30 anos, quase à beira da extinção, a população da espécie saltou de cerca de dois mil para 20 mil animais.

Desde que foi confirmada a morte da baleia, a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) deslocou 22 agentes para fazer a remoção da carcaça, numa ação em conjunto com os técnicos do PBJ.

Na operação, estão sendo utilizados três caminhões, uma caixa coletora de cinco metros cúbicos e facas de açougue para retalhar os restos mortais da baleia, para transportá-los ao aterro metropolitano. 

O trabalho precisou ser suspenso por volta das 15h, por causa da maré cheia, mas será retomado por volta das 7h30 deste sábado, com uma equipe de 44 agentes, informou por nota a Secretaria de Comunicação da prefeitura de Salvador. 

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