Bolsonaro agradece Merkel e diz que serviço europeu vai monitorar queimadas

No início da crise ambiental, brasileiro havia sugerido a chanceler alemã que utilizasse ajuda ao Brasil para reflorestar a Alemanha

Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse que o Serviço Europeu de Ação Externa foi acionado para avaliar o quadro de queimadas na América do Sul, incluindo a floresta amazônica.

A informação, segundo o governo brasileiro, foi repassada ao presidente pela chanceler alemã Angela Merkel, em conversa por telefone na tarde desta sexta-feira (30). Segundo ele, o diálogo foi produtivo.

"No dia de hoje, tive uma conversa bastante produtiva com a chanceler Angela Merkel, a qual reafirmou a soberania brasileira na nossa região amazônica. A pedido do governo alemão, o Serviço Europeu de Ação Externa foi mobilizado para avaliar a situação das queimadas na América do Sul", disse o presidente, em mensagem nas redes sociais.

Em nota oficial, a Presidência da República classificou o contato como "franco e cordial". Na conversa, Bolsonaro agradeceu a alemã pelo esforço dos países estrangeiros em colaborar com o Brasil.

"O presidente informou que foi um contato franco e cordial onde agradeceu o esforço dos países em colaborar com Brasil, na missão de combater as queimadas sazonais que ora afetam a Amazônia Legal", salientou.

O Palácio do Planalto disse ainda que o presidente atualizou a chanceler sobre as iniciativas feitas até agora, como a colaboração das Forças Armadas para o combate aos incêndios ilegais, e reafirmou a posição brasileira de não aceitar discussões sobre a soberania brasileira.

"Ele ratificou a posição brasileira de não cogitar qualquer discussão quanto à soberania do nosso território, bem como sobre a governança de eventuais recursos e apoios que possam ser concedidos ao Brasil", ressaltou.

O governo brasileiro também relata que, durante a conversa, Bolsonaro disse a Merkel que suas críticas em relação ao presidente da França, Emmanuel Macron, devem-se a um posicionamento de "caráter pessoal" diante dos "ataques perpetrados" pelo francês.

Na mensagem nas redes sociais, Bolsonaro afirmou ainda que foi informado de que as o Serviço Europeu de Ação Externa constatou que a área de queimadas no Brasil teve um decréscimo neste ano em comparação ao ano passado.

O brasileiro, no entanto, não apresentou documentos que provam essa informação. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o país teve até agora 72.843 focos de incêndio, um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado.

O tom cordial adotado por Bolsonaro na conversa com Merkel representa uma mudança em relação ao início da crise ambiental. Ele chegou a ironizar a decisão do governo alemão em suspender o envio recursos para projetos de proteção da floresta amazônica.

“Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu R$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, disse.

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