Bolsonaro sugere a Merkel que use verba suspensa para reflorestar a Alemanha

Na semana passada, governo alemão cancelou repasse de recursos para projetos de proteção à Amazônia

Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro ironizou nesta quarta-feira (14) a decisão do governo alemão de suspender o envio de recursos para projetos de proteção da floresta amazônica.

Em entrevista à imprensa, ele chamou a chanceler Angela Merkel, a quem tem feito críticas públicas, de “querida” e sugeriu que ela utilize o montante para reflorestar a Alemanha.

“Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu R$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, disse.

A partir da esq.: o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro ministro da Espanha Pedro Sanchez, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente do Conselho da UE Donald Tusk, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro, e o presidente da Argentina Mauricio Macri
A partir da esq.: o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro ministro da Espanha Pedro Sanchez, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente do Conselho da UE Donald Tusk, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro, e o presidente da Argentina Mauricio Macri - Jorge Silva/Reuters

A embaixada da Alemanha no Brasil disse que a suspensão a decisão de suspensão “reflete a grande preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia brasileira”. 

O bloqueio dos recursos, por enquanto, não atinge o Fundo Amazônia e não afetará outros projetos financiados pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica alemão.

Segundo a Deutsche Welle, em entrevista ao jornal Tagesspiegel, Svenja Schulze, ministra do Meio Ambiente do país, afirmou que a suspensão pode ultrapassar os R$ 150 milhões.

O desmatamento na Amazônia tem crescido de forma acentuada. A destruição em junho aumentou 90% e em julho 278% —em comparação a junho e julho de 2018— , segundo dados do Deter do Inpe.

A chanceler alemã já afirmou ver com grande preocupação as ações do atual governo em relação ao desmatamento. 

Preocupação semelhante foi demonstrada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que colocou a permanência do Brasil no Acordo de Paris como condicionante para concretização de acordos comerciais. 

O governo francês também espera ações concretas do Brasil quanto a questões ambientais, o que, caso contrário, poderia dificultar a relações comerciais entre União Europeia e o Mercosul.

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