Sergipe instala barreiras para conter óleo em rios e cobra ação da Petrobras

Até o momento 166 locais foram atingidos em nove estados do Nordeste

João Pedro Pitombo
Salvador

O governo de Sergipe instalou barreiras de contenção na foz dos rios Sergipe e Vaza-Barris, dois dos mais importantes do estado. O equipamento será usado para conter o avanço do óleo que chegou às praias do estado e começa a entrar no estuário dos rios.

O equipamento foi cedido pela empresa Celse (Companhias Elétricas de Sergipe), que possui uma hidroelétrica no rio Sergipe e é parceira no plano de emergência decretado pelo governador Belivaldo Chagas (PSD). Sergipe foi o único dos nove estados nordestinos que foram atingidos por manchas de óleo a decretar estado de emergência.

Ao todo, foram instalados nesta sexta-feira (11) 100 metros de barreiras no rio Vaza Barris, cuja foz fica na fronteira com a Bahia. Na quinta-feira (10), foram colocados 200 metros no rio Sergipe, que desemboca em Aracaju junto à praia de Coroa do Meio, uma das mais atingidas pelo óleo.

Barreiras de contenção são instaladas na foz do rio Sergipe
Barreiras de contenção são instaladas na foz do rio Sergipe - Governo de Sergipe/Divulgação

Diante do avanço do óleo das praias para rios e mangues, o governo de Sergipe trava uma batalha com a Petrobras e cobra que a estatal se mobilize para instalar de barreiras em outros rios da região.

“É inadmissível que não haja uma atuação mais enérgica do governo federal. Se uma situação dessas acontecesse no Sudeste, a postura seria outra. Nós estamos à deriva”, afirma Gilvan Dias, presidente da Adema, órgão ambiental de Sergipe.

Em nota enviada à Folha, a Petrobras informou que colocou à disposição barreiras de contenção para uso da Adema, mas a informação foi negada pelo órgão ambiental do estado.

“É inacreditável que em meio a tanta desgraça, em um momento tão crítico a ente tenha que tratar com inverdades. Não houve nenhuma tratativa para disponibilizar as barreiras”, afirma Dias.

A Petrobras informou ainda que a limpeza das praias é feita por solicitação e coordenação do Ibama, órgão responsável pela estratégia de contenção do óleo nas praias do nordeste.

A companhia ainda reforçou que o óleo nas praias do Nordeste não é produzido nem comercializado pela Petrobras e os custos das atividades de limpeza serão ressarcidos.

Na Bahia, onde as manchas de óleo têm sido registradas há uma semana, o governo do estado fez uma reunião nesta sexta-feira (11) na qual decidiu criar um comitê de crise para monitorar situação das praias.

O grupo é formado pelos Ministérios Público Federal e Estadual, membros de órgãos estaduais, representantes das prefeituras das cidades atingidas e professores da Universidade Federal da Bahia.

Até o momento, não foram definidas ações para instalação de barreiras em rios já atingidos pelo óleo como o Itapicuru, cuja foz fica no município de Conde (181 km de Salvador).

“Estamos entrando em contato com a Marinha e a Petrobras, que têm maior expertise nesta área, para nos ajudar com esta questão das barreiras”, afirma o secretário estadual do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira.

No início deste ano, a Petrobras realizou um treinamento com 40 moradores do município de Conde para possível operação de isolamento do rio. Uma semana depois da chegada do óleo, contudo, a instalação das barreiras não foi realizada. 

Desde que as manchas chegaram ao litoral da Bahia, na última sexta-feira (4), o governo vem atuando no recolhimento do óleo. Ao todo, foram recolhidas 13 toneladas nos últimos sete dias.

Pesquisadores do Instituto de Biologia da UFBA estão levantando impactos na fauna e nas comunidades ribeirinhas. Em parceria com a Fundação Pró-Tamar, foram resgatadas 500 tartarugas marinhas que nasceram em área com óleo nas praias, que estão sendo soltas em áreas não atingidas. 

De acordo com o Ibama, a presença de óleo já foi registrada em 166 praias de 72 municípios nordestinos. Veja a lista completa

As possíveis causas das manchas estão sendo investigadas pela Marinha do Brasil. Uma análise feita pela Petrobras e outra realizada pela UFBA apontam que o óleo tem origem na Venezuela. O governo da Venezuela negou que seja responsável pelo petróleo derramado.

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