Bolsonaro diz que governo tomou todas as providências sobre vazamento de óleo

Questionado se viajará ao Nordeste, região afetada, presidente diz não existir teletransporte

Talita Fernandes
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o governo federal tomou todas as providências necessárias para conter o vazamento de óleo na costa brasileira. 

Questionado se pretende viajar à região Nordeste, cujo litoral foi atingido, Bolsonaro disse não haver teletransporte. 

"Ainda não existe teletransporte. Agora, todas as medidas que nós pudemos tomar na época foram tomadas", disse ao sair do Palácio da Alvorada neste sábado (2). 

"Tenho que conversar com o Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia], com o Salles [Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente] e com o general Fernando [Azevedo, ministro da Defesa]. Tenho que conversar com os três. São eles que vão decidir passo a passo. Uma vez identificado e comprovado, tem a legislação nossa, tem a legislação internacional no tocante a isso também. Lá atrás, vocês devem lembrar, para transporte de petróleo, vários países fizeram a exigência que os navios tivessem casco duro para evitar um acidente. Essa legislação é complexa e eu prefiro não falar sobre ela", afirmou.

Ao comentar sobre teletransporte, Bolsonaro justificou que estava em viagem à Ásia e ao Oriente Médio e que, por isso, não pode ir ao local. Ele não falou se viajará ao Nordeste nas próximas semanas.
O presidente visitou Japão, China, Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita entre os dias 19 e 31 de outubro. Os vazamentos de óleo apareceram na costa brasileira no início de setembro.

Durante a ausência de Bolsonaro do território nacional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), viajou a dois estados da região na condição de presidente interino da República. 

Questionado, o presidente não comentou sobre a suspeita de que um navio grego seja o responsável pelo derramamento.

O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, chegou a fazer acusações sem provas de que o Greenpeace poderia ser responsável por despejar óleo na costa brasileira.

Apurações indicaram que o navio grego Bouboulina foi apontado por investigações da polícia e do Ministério Público Federal como o responsável pelo vazamento, enquanto passava em frente à costa do Nordeste com uma carga de petróleo venezuelano rumo à Malásia.

Proprietária do navio suspeito do vazamento de óleo que atinge as praias do Nordeste, a companha grega Delta Tankers afirmou neste sábado (2) que inspeção no petroleiro Bouboulina não encontrou provas de derrame de óleo da embarcação.

"Não há provas de que o navio parou, conduziu nenhum tipo de operação STS [transferência de óleo entre navios], derramou/vazou óleo, reduziu a velocidade ou desviou sua rota durante a viagem", disse a Delta, que reafirma ainda não ter sido procurada por autoridades brasileiras.

Na nota, a companhia diz que a inspeção incluiu pesquisa de informações de câmeras e sensores que os navios carregam, da atividade na embarcação, alterações de percurso, paradas e velocidade de navegação, entre outros.

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