Pantanal tem aumento de área queimada e focos de incêndio em 2019

Chuvas encerraram 14 dias seguidos de incêndios, que consumiram área maior do que a da cidade de São Paulo

Queimada atinge vegetação no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, no último dia 5 de novembro João Farkas

Fernanda Athas Matheus Moreira
Campo Grande e São Paulo

Em outubro, o Pantanal teve o maior número de focos de incêndio para o mês em 17 anos, com 2.430 registros, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre a região do bioma em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O fogo seguiu novembro adentro, e apenas no período de 27 de outubro a 9 de novembro consumiu 1.730 km² em Mato Grosso do Sul, uma área maior que a da cidade de São Paulo (1.521 km²). 

Com a chegada das chuvas, o controle do fogo e o monitoramento aéreo permanente das áreas atingidas foram encerrados nesta segunda-feira (11).

Também de acordo com o Inpe, em 2019 o Pantanal teve a maior extensão de terra queimada dos últimos 12 anos. 

Entre janeiro e outubro, foram 18.138 km² atingidos por focos de incêndio. Em todo o ano de 2007, foram 18.699 km².

Serviços como abastecimento de energia, água e internet foram prejudicados em seis municípios (Aquidauana, Miranda, Corumbá, Rio Negro, Anastácio e Bodoquena), paralisando parcialmente serviços públicos de saúde, como agendamentos de consultas e entrega de exames, e transações bancárias que dependiam de internet.

“As equipes [de bombeiros] estavam segurando várias frentes de fogo, mas as chuvas mudaram situações que a gente não controla, como velocidade dos ventos, umidade relativa do ar e temperatura”, afirma Fábio Catarinelli, coordenador da Defesa Civil do estado.

Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e Clima (Cemtec), no fim de outubro os ventos eram de até 40 km/h e a umidade relativa do ar era de 10%. Após as chuvas, a umidade subiu para 35% e chegou a 95% nos municípios atingidos. “Choveu de encharcar o solo”, diz Catarinelli.

Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), diz que as chuvas já estavam abaixo do normal esperado para essa época do ano há pelo menos três meses, o que facilitou a propagação das chamas. 

O período de chuvas na região depende da passagem de frentes frias que, neste ano, tiveram um comportamento incomum e “passaram batido” por Mato Grosso do Sul.

Catarinelli diz que 90% das queimadas são de causa humana, seja por ação ou omissão do homem. “É cultural que, após um longo período de estiagem, assim que há uma previsão de chuva, as pessoas coloquem fogo como método de ‘limpeza’ do campo, prática que é ilegal”, diz.

Julio Sampaio, gerente do programa Cerrado e Pantanal da ONG WWF-Brasil, também diz que a culpa é do mau uso do fogo em áreas de pasto. Segundo ele, a limpeza de áreas de pasto com o fogo pode acabar saindo do controle. 

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