Com plenário esvaziado, COP-25 chega a acordo sobre redução de emissões

Após dois dias, negociações finais foram concluídas na manhã deste domingo (15)

Madri e São Paulo | AFP

A comunidade internacional alcançou, neste domingo (15), um acordo mínimo para redução de emissões na COP-25, realizada em Madri. A conclusão da última reunião, prevista para sexta-feira (13), aconteceu neste domingo (15), fazendo desta a mais longa Conferência das Partes da história.

Da esquerda para a direita, Fabio Mendes Marzano e Leonardo Cleaver, representantes da delegação brasileira na plenária final da COP-25
Da esquerda para a direita, Fabio Mendes Marzano e Leonardo Cleaver, representantes da delegação brasileira na plenária final da COP-25 - Oscar del Pozo/AFP

Após duas semanas de negociações, a conferência da ONU, com participação de quase 200 países, concordou em pedir aos países que aumentem suas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 2020.

Mas os representantes dos países envolvidos parecem não ter conseguido colocar em prática "a hora de agir", lema da conferência.

Um dos importantes pontos práticos do Acordo de Paris, o artigo 6, que regulamenta o mercado de carbono, foi considerado um fracasso. Sem decisão, o tema foi adiado para o ano que vem.

O Brasil, agora acompanhado pela Austrália, defende que os governos não devem ajustar suas metas nacionais de redução de emissões, descontando da prestação de contas nacional os créditos de carbono que forem vendidos a outros países.

Isso permitiria uma contagem dupla —pelo país que realizou a redução da emissão e pelo país que comprou o crédito gerado por ela. E isso, de acordo com os presentes, inviabiliza o Acordo de Paris, mostrando resultados maiores do que os verdadeiros na redução de emissões.

Carolina Schmidt, ministra do meio ambiente no Chile e presidente da Conferência, considerou que havia possibilidades de chegar a um acordo sobre o texto. "O artigo 6 teria contribuído muito, é uma pena que não tenhamos chegado a um acordo", disse.

Os representantes da delegação brasileira disseram estar decepcionados com a falta de um acordo sobre o tema, mas "preferiram ver o copo meio cheio" com a perspectiva de continuar negociando.

O Brasil se opôs a dois parágrafos do documento final que tratam da relação de solos e oceanos com as mudanças climáticas, com objetivo de fortalecer estudos sobre o tema. Com a pressão de Chile, Rússia, Austrália, União Europeia, Tuvalu e Belize, entre outros participantes, o país concordou em manter os parágrafos.

Diretor do Instituto de Desarrollo Sostenible y Relaciones Internacionales (IDDRI), uma organização de pesquisas ambientais sediada em Paris, Sébastien Treyer disse à AFP que a comunidade internacional está fragmentada.

"A construção de alianças entre atores de diferentes pesos será uma condição chave para o sucesso da COP-26", afirmou. 

A próxima sede do encontro é Glasgow. A reunião terá a responsabilidade de apresentar consenso sobre esse e outros temas.

A ativista sueca Greta Thunberg disse neste sábado (14) em uma rede social que a ciência é clara, mas que foi ignorada nas discussões. 

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